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UFC e você contra o mosquito

Na Reitoria, pesquisadora Maria da Guia se torna a mais nova Professora Emérita da UFC

Imagem: Maria da Guia Silva Lima recebeu o título de Professora Emérita da UFC pelas mãos do reitor Henry Campos (Foto: Ribamar Neto/UFC)"É preciso continuar a lutar, porque sem o conhecimento a gente não avança. Continuem, vale a pena." Foi com esse conclame aos jovens pesquisadores que a professora aposentada e pesquisadora Maria da Guia Silva Lima marcou seu discurso como a mais nova Professora Emérita da Universidade Federal do Ceará. A solenidade de outorga da honraria ocorreu na noite dessa quarta-feira (24), no auditório da Reitoria, e contou com a presença de ex-alunos, amigos e familiares da homenageada, além de autoridades universitárias.

Compuseram a mesa solene o reitor Henry Campos; o pró-reitor de Graduação, Cláudio Marques; o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Manual Furtado Neto; o pró-reitor de Relações Internacionais, José Soares; a Profª Dirce Fernandes de Melo, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular; e a Profª Nadja Dutra, do Departamento de Engenharia de Transportes.

A cerimônia teve início com a entrada da Profª Maria da Guia no auditório, conduzida em cortejo pelo docentes João César Mota, representando o Centro de Tecnologia; Hermógenes Oliveira e Bruno Matias da Rocha, do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica; e André Luis Silva, da Pós-Graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da UFC. Em seguida, foi feita a leitura do currículo da pesquisadora, destacado pelos estudos nas áreas de bioenergética e imunologia.

Veja outras imagens da solenidade no Flickr da UFC

Imagem: Ex-aluna de Maria da Guia, a Profª Dirce Fernandes saudou a homenageada em nome da UFC (Foto: Ribamar Neto/UFC)Ex-aluna de Maria da Guia, a Profª Dirce Fernandes saudou a homenageada em nome da UFC. "Todos lembram sua capacidade de trabalho e atitudes enérgicas para resolver problemas com agilidade, em prol do fazer acontecer", afirmou. Emocionada, revelou ter sido motivada pelo sentimento de gratidão ao indicar o nome de Maria da Guia para receber o título de Professora Emérita. Enfatizou ainda o papel fundamental da docente na consolidação da pesquisa no Ceará, com a criação de linhas de pós-graduação e pioneirismo na instalação do Biotério da UFC. "Ela foi guia, com luz própria, na sua atuação acadêmica e seus alunos guardam na memória não apenas conhecimento científico transmitido em aulas e palestras, mas o exemplo de firmeza e coerência de atitudes", declarou.

Definindo sua trajetória profissional como uma missão no sentido de transmitir conhecimento científico a todos, Maria da Guia agradeceu o título, aproveitando para relembrar episódios de sua vida como pesquisadora e docente. Segundo ela, um momento marcante ainda quando estudante a fez ingressar no mundo dos laboratórios. "Quando era aluna da Faculdade de Medicina, vi uma criança morrer de fome no hospital. Foi determinado então que a criança morreu de perturbações alimentares quando na verdade ela tinha morrido era de fome mesmo. Comecei a pensar que queria estudar mais as proteínas, algo que chegasse a essa camada social mais desprezada", revelou.

Maria da Guia também abordou a amplitude das dificuldades do fazer científico e da docência no Brasil ao longo de sua carreira. Afirmou que em seu trabalho com os alunos ofereceu orientações que iam desde como superar problemas estruturais na ciência até mesmo como ter um bom domínio da língua portuguesa. "Sempre dizia aos meus alunos: 'É preciso que a gente tenha infraestrutura científica, vocês precisam levar isso para frente'. Era também profundamente exigente (com o domínio deles do português), porque certa vez recebi um relatório, para vocês verem a dificuldade que era, que tinha honestamente escrito com 'o', por um estudante. Fiquei tão desesperada que passei a exigir isso", disse.

Imagem: Em seu discurso, Maria da Guia também abordou a amplitude das dificuldades do fazer científico e da docência no Brasil ao longo de sua carreira (Foto: Ribamar Neto/UFC)A consolidação de um cenário forte de estudos em âmbito local foi uma das metas pretendidas por Maria da Guia em sua história. "É importante falar inglês, mas nossas teses são escritas em português e é importante ter essa bibliografia. Tudo isso fiz porque queria que aqui tivéssemos uma estrutura científica que fosse válida", ponderou.

O reitor Henry Campos afirmou sentir-se honrado em presidir a solenidade de concessão do título de Professora Emérita a Maria da Guia "pelo exemplo e por tudo o que representa para a nossa Universidade". Para o reitor, a honraria se justifica devido à compreensão da docente das múltiplas dimensões da Universidade. "Desde os anos sessenta [1960], nossa homenageada percorre os meandros da academia, realçando pela seriedade, competência e espírito de liderança. Exerceu o magistério, dedicou-se brilhantemente à pesquisa e ainda assumiu diversas missões administrativas, pautando-se pelo equilíbrio e senso de justiça", afirmou.

Henry Campos evidenciou ainda os esforços de Maria da Guia na área de internacionalização. "Quando ninguém falava em internacionalização, Maria da Guia já percebia que a ciência não conhece fronteiras e que a interação de esforços entre pesquisadores de diversas instituições, do mundo inteiro, é que faz alargar as fronteiras do conhecimento", declarou.

SAIBA MAIS ‒ Maria da Guia Silva Lima ingressou como estudante na Faculdade de Medicina em 1954, ano de criação da UFC. Oito anos mais tarde, em 1962, após estágio de um ano na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, regressou à Universidade como professora, onde lecionaria por 42 anos, até 2004. A professora também foi a primeira mulher a ocupar o cargo de titular (tendo sido votada para a vaga) no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). Foi chefe do Departamento de Bioquímica por três mandatos e diretora do Biotério da UFC.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC – fone: (85) 3366 7331

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