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Pesquisas do Departamento de Geografia sobre covid-19 são destaque em periódico internacional

Imagem: foto da capa da revista Duas pesquisas realizadas pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará são destaque no Journal of Latin American Geography (JLAG), periódico da Conference of Latin American Geography (CLAG). Os artigos Volunteered Geographic Information generates new understandings of covid-19 in Fortaleza e As organizações religiosas brasileiras frente à pandemia de Covid-19 estão disponíveis na edição de julho da publicação.

Elaborado no âmbito do Laboratório de Geoprocessamento e Cartografia Social (LABOCART), o artigo Volunteered Geographic Information generates new understandings of covid-19 in Fortaleza apresenta os resultados parciais do Mapeamento participativo da covid-19 em Fortaleza. A partir da análise de 12 mil respostas coletadas em um questionário eletrônico no período de 8 a 10 de abril de 2020, os pesquisadores puderam mapear os bairros da capital cearense com maiores taxas de casos suspeitos ou confirmados da doença e conhecer a opinião das pessoas sobre isolamento social.

O estudo utiliza informações geográficas voluntárias (VGI, na sigla em inglês) para mostrar a disseminação da pandemia em Fortaleza. A partir das respostas, os pesquisadores elaboraram mapas da cidade destacando aspectos como: número de casos confirmados de covid-19; quantidade de casos suspeitos da doença; bairros com maiores taxas de casos suspeitos ou confirmados da covid-19; quantidade de pessoas no grupo de risco; e número de pessoas que consideram importante o isolamento social.

Leia também: Pesquisas revelam bairros de Fortaleza com maiores incidências de COVID-19 e riscos de contágio da doença

Apesar de 97,5% dos entrevistados pela pesquisa considerarem o isolamento social como medida importante de enfrentamento ao coronavírus e mais de dois terços indicarem que todos na sua residência estavam praticando o isolamento social no período indicado, 31% dos voluntários que preencheram o questionário afirmaram que nem todos da sua residência cumpriam adequadamente tal medida e 1% autodeclarou que não fazia o isolamento.

"Os principais motivos [para as pessoas não cumprirem o isolamento social] incluem: realizar atividades remuneradas (trabalho formal ou informal), comprar alimentos, remédios e pagar contas, e rejeitar a ideia de que o isolamento social é importante para conter a covid-19", destaca a pesquisa.

O artigo é assinado pela Profª Adryane Gorayeb, coordenadora da pesquisa, e pelo Prof. Jader de Oliveira Santos, além do doutorando Wallasson de Souza e dos graduandos Hércules da Cunha, Regina da Silva, Romullo Mesquita, Lucas Libério, Francisco Silva, Sarah Maia e Christian Mota, todos do Departamento de Geografia. Paulo Gorayeb e Narcélio de Sá também assinam a pesquisa como egressos dos departamentos de Estatística e de Geografia, respectivamente.

COVID-19 E RELIGIÃO – Na mesma edição do periódico, pesquisadores do Laboratório de Estudos Geoeducacionais e Espaços Simbólicos (LEGES), também do Departamento de Geografia da UFC, analisaram as principais medidas adotadas pelas instituições religiosas no contexto da pandemia do novo coronavírus. "Como regular o funcionamento de organizações religiosas quando as medidas de distanciamento social atingem a liberdade de culto?", questionam os estudiosos no artigo As organizações religiosas brasileiras frente à pandemia de covid-19.

A publicação divide as instituições religiosas em quatro agrupamentos: católicos, evangélicos, espíritas e afros, e entidades orientais e indígenas, mostrando as principais ações adotadas por elas durante o período de 15 de março a 15 de abril, primeiro mês de distanciamento social no Brasil. "Neste período, rastreamos via páginas oficiais, Facebook e Instagram de comunidades religiosas institucionais e notas emitidas por representações oficiais das organizações quais as medidas tomadas para proteger (ou não) seus membros diante da pandemia", destaca Christian Dennys de Oliveira, coordenador do LEGES.

O artigo mostrou a diversidade das organizações religiosas e as diferenças de opiniões sobre a pandemia. Enquanto algumas organizações recomendavam seguir novas regras de conduta, adequando-se às medidas sanitárias, outras ignoravam as determinações de autoridades governamentais de suspender atividades presenciais.

A partir do levantamento, os pesquisadores procuraram analisar "percepções, leituras, combates e silenciamentos" das religiões em relação à pandemia do coronavírus. "De um lado, atividades religiosas permanecem indispensáveis para a gestão de uma economia política atrelada pelo patrimonialismo das movimentações monetária e eleitoral. De outro, as formas de crença com fragilidades da condição de cidadania podem dar às organizações religiosas um papel preventivo essencial na quarentena, ainda que nutrindo todo fundamentalismo das organizações cristãs frente às não cristãs", concluem.

Além do Prof. Christian Dennys de Oliveira, assinam o artigo os docentes Fabrício Américo (IFCE), Ivo Luís Silva (IFCE), Luiz Raphael Silva (SEDUC), José Arilson de Souza (UEMA), Camila Benatti (UEMS), a mestranda Gerlaine Franco e o doutorando Marcos da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFC, além de Maryvone Gomes, mestra pelo PPG Geografia/UFC.

Fontes: Profª Adryane Gorayeb, coordenadora do LABOCART ‒ e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.; Prof. Christian Dennys, coordenador do LEGES ‒ e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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