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UFC e você contra o mosquito

Pesquisador da Pós-Graduação em Química publica artigo de revisão sobre bactéria da tuberculose em revista internacional

Imagem: Prof. Eduardo Henrique Silva de SousaUm artigo assinado por pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Química (PGQUIM) da Universidade Federal do Ceará com revisão científica sobre a bactéria responsável pela tuberculose foi publicado, no último dia 15 de novembro, na Coordination Chemistry Reviews, revista de alta relevância na área da Química (fator de impacto de 15,367).

No artigo, o Prof. Eduardo Henrique Silva de Sousa, em parceria com a Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, apresenta mecanismos-chave de ação da bactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB), que podem ajudar a explicar como se comporta a doença e identificar potenciais novos fármacos de tratamento.

Ainda que evidências apontem a coexistência de humanos com a bactéria responsável pela tuberculose há cerca de 6 mil anos, ela segue como um problema atual por sua alta capacidade de adaptação, persistência e resistência a ambientes pouco favoráveis à sua sobrevivência. Como consequência disso, tem-se a infecção atualmente de um quarto da população, na forma latente e assintomática, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O artigo ressalta como uma condição que dá à Mycobacterium tuberculosis essa maior sobrevivência, tornando difícil sua eliminação, a capacidade que tem de se desenvolver enclausurada em estruturas chamadas granulomas, criadas pelo organismo humano como uma estratégia de defesa. Nessas estruturas, há uma diminuição da disponibilidade de oxigênio e nutrientes, o que deveria levar à morte da MTB, que é aeróbica obrigatória (dependente de oxigênio).

Entretanto, ao perceber a queda gradual do oxigênio, ela entra em um estado de dormência, caracterizado por um "desligamento" intencional do metabolismo, levando a uma replicação celular mínima ou nula (daí a ser um estado chamado por pesquisadores também de forma non-replicant persistent, algo como "forma persistente e não replicante"), podendo permanecer no organismo humano adormecida por décadas, inclusive tornando-se menos sensível a medicamentos.

Além disso, mesmo o óxido nítrico (NO), composto normalmente usado pelo corpo para tentar eliminar a bactéria, acaba servindo como fonte nutricional para ela, que o utiliza na forma de nitrito e nitrato, importantes para diferentes etapas de seu desenvolvimento.

Entender como se dá esse processo de dormência, portanto, torna-se essencial para combater a doença. "Um dos maiores desafios para a tuberculose, uma pandemia mundial que mata mais de 1 milhão de pessoas por ano, é também ter formas terapêuticas para eliminar a bactéria dormente. A erradicação deverá passar pela capacidade de eliminarmos plenamente a bactéria dormente", explica o Prof. Eduardo Henrique.

PROTEÍNAS – O que auxilia a Mycobacterium tuberculosis a entrar no estado de dormência são sensores que detectam a queda dos níveis de oxigênio e levam às suas modificações metabólicas, uma vez que ela é enclausurada nos granulomas. Dois desses sensores são as proteínas DevS e DosT, inclusive já analisadas bioquimicamente no PGQUIM, de forma pioneira.

A pesquisa aponta, porém, que há outras proteínas que podem contribuir com essa ação da bactéria, respondendo tanto ao oxigênio como ao óxido nítrico, ou envolvidas ainda no metabolismo de nitrito e nitrato. O estudo aprofundado dessas proteínas deve ser um passo importante para o desenvolvimento de novos fármacos que ataquem o processo de dormência, ameaçando a sobrevivência da MTB.

"O que descrevemos é uma série de proteínas envolvidas nesse processo-chave de dormência da MTB, e como compreender esse processo através dessas proteínas pode ser importante para planejarmos novas estratégias terapêuticas", aponta o Prof. Eduardo Henrique.

Leia o artigo de revisão completo publicado na Coordination Chemistry Reviews (em inglês).

SAIBA MAIS – O PGQUIM já tem desenvolvido há anos pesquisas que buscam melhorar a eficiência do combate à tuberculose. Uma dessas pesquisas, por exemplo, realizada no Laboratório de Bioinorgânica (LABIO), coordenado pelo Prof. Eduardo Henrique, dedica-se ao desenvolvimento de compostos que possam potencializar a ação de fármacos.

Fonte: Prof. Eduardo Henrique Silva de Sousa – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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