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Painel nos Encontros Universitários aborda o pioneirismo da UFC na área de transplantes

Imagem: O evento foi mediado pelo reitor Henry Campos (Foto: Viktor Braga/UFC)O tema "Transplantes de órgãos: pioneirismo e excelência da UFC" foi assunto do painel realizado nessa quinta-feira (9), no auditório do Centro de Ciências, durante os Encontros Universitários 2017. No evento, os professores Huygens Garcia e Fernando Barroso Duarte contaram, respectivamente, a história dos transplantes de fígado e de medula no Ceará, ambos introduzidos no Estado pela Universidade Federal do Ceará. O evento foi mediado pelo reitor Henry Campos.

O Prof. Huygens começou sua apresentação lembrando que o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da UFC, foi responsável por realizar o primeiro transplante de todo o Norte e Nordeste do Brasil. O ano era 1977 quando uma equipe que reunia os professores Antônio Lacerda Machado, Roberto Barreto Marques, João Evangelista e João Batista Evangelista Júnior realizou seu primeiro transplante renal. O feito foi resultado de um processo de treinamento que havia começado cinco anos antes, com a ida do Prof. Lacerda para o Kings College, de Londres.

Veja outras imagens do painel no Flickr da UFC

O pioneirismo também se refletiu nos transplantes de fígado, que começaram a ser feitos no HUWC em maio de 2002, depois de um longo período de treinamento em animais. Ao longo desses 15 anos, a equipe do Prof. Huygens Garcia já realizou 1.468 intervenções, tendo dominado técnicas cada vez mais complexas de transplantes hepáticos.

Imagem: Em 15 anos, a equipe do Prof. Huygens Garcia já realizou 1.468 transplantes de fígado (Foto: Viktor Braga/UFC)Segundo o Prof. Huygens, a taxa de sobrevida está acima de 92%, superior à média nacional e semelhante à dos principais centros do mundo. Cerca de 60% dos transplantes têm sido feitos sem qualquer tipo de transfusão de sangue. Por conta disso, o serviço se transformou em referência regional, tendo recebido 62% de seus pacientes de diversos estados.

Em 2013, a unidade da UFC foi reconhecida como o principal centro de transplantes da América Latina, com 130 procedimentos realizados apenas no ano. O desempenho manteve-se nessa faixa nos dois anos seguintes. "É motivo de orgulho. Não meu, mas de nossa sociedade", disse o professor.

Nestes últimos dois anos, no entanto, houve uma queda acentuada no número de transplantes realizados no HUWC em virtude de orientações nacionais. Em 2016, 41 transplantes foram realizados no hospital. Neste ano, até o momento, foram 27. "Por motivos alheios a nossa vontade, tivemos de fazer a maioria dos transplantes no Hospital São Carlos", explicou o Prof. Huygens, lembrando que essa é uma situação nacional, em que 71% dos transplantes no Brasil têm sido realizados em hospitais privados.

MEDULA – Já o Prof. Fernando Barroso destacou a história dos transplantes de medula no HUWC e o papel de pioneiros como os médicos Helena Pitombeira e Murilo Martins. A unidade de transplantes teve início, formalmente, com o credenciamento no Ministério da Saúde em junho de 2008. Dois meses depois, o HUWC realiza seu primeiro transplante autólogo (que utiliza as próprias células-tronco do paciente).

"Foi uma coisa revolucionária para nós", lembra. "A maioria das pessoas achava que nós éramos loucos. Mas foi muito bom ser louco, porque a gente acreditou no sonho", completa, lembrando que já foram realizados 351 transplantes nesse meio-tempo pela Universidade.

Imagem: Prof. Fernando Barroso destacou a história dos transplantes de medula no HUWC (Foto: Viktor Braga/UFC)Em 2015, realizaram o primeiro transplante alogênico (que utiliza células-tronco de um doador saudável). Em seguida, passaram a fazer transplantes não aparentados. "Temos mais de 90 centros transplantadores no Brasil. Fazendo transplantes não aparentados, são apenas em torno de 10", conta.

Em 2016, novo avanço: realizaram transplante do tipo haploidêntico, quando a compatibilidade entre doador e receptor é de pouco mais de 50%. Com isso, o HUWC passou a ser o único centro do Nordeste a realizar esse tipo de procedimento. "Nossos transplantes serão cada vez mais complexos", resume.

Para o professor, a maior dificuldade hoje é a falta de leitos. "No Brasil, temos uma estatística assustadora: em torno de 700 casos, identificam o doador, mas as pessoas morrem porque não há leito para transplantar", disse.

EXCELÊNCIA – O reitor da UFC, Prof. Henry Campos, destacou o nível de excelência do trabalho realizado pelas equipes de transplantes das duas áreas. "São motivo de orgulho para nossa universidade e para nosso Estado", disse o reitor, parabenizando os dois professores.

"Vida de transplantador não é fácil. Sei porque durante muito tempo estive na linha de frente na questão de transplante de rim, que foi o que deu origem a tudo." O reitor lembrou que em 1977 houve o primeiro transplante renal e em 1985 foi montado o Laboratório de Histocompatibilidade – até então, os procedimentos eram realizados pela ação voluntária da médica Zélia Petrola, que fazia os exames em seu laboratório privado. Nessa época, a UFC começou a realizar transplante de rim de cadáver.

"Fomos pioneiros no Nordeste e os primeiros a fazer troca de órgãos dentro dessa visão de cooperação entre centros e otimizar a participação de doadores", recorda. Ele destacou o trabalho de referências na área, como o Prof. Antônio Lacerda Machado, Roberto Marques, João Batista Evangelista Júnior, Ailson Gurgel, João Evangelista e João Martins.

O reitor aproveitou para manifestar oposição às medidas adotadas pela gestão do HUWC que resultaram na redução do número de transplantes realizados no Hospital. Ele disse que tem argumentado com a direção da empresa gestora para reverter a situação.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional – fone: 85 3366 7331

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