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UFC e você contra o mosquito

Diálogos sobre a felicidade reúne dezenas de pessoas no auditório da Reitoria

Imagem: Cinco pessoas sentadas atrás de uma mesa no auditório da Reitoria (Foto: Viktor Braga/UFC)

O auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará recebeu dezenas de pessoas na tarde desta quinta-feira (18) para o painel interdisciplinar Diálogos sobre a Felicidade, promovido pelo Colégio de Estudos Avançados (CEA) da UFC. O evento teve como conferencistas a filósofa Maria Aparecida de Paiva Montenegro, docente do Curso de Filosofia, e o psicanalista Valton de Miranda Leitão, doutor honoris causa da UFC.

A Profª Aparecida Montenegro, que disse estudar a filosofia antiga para melhor compreender o panorama contemporâneo, discorreu acerca das diferentes formas como a felicidade foi vista ao longo do tempo. Segundo ela, a ideia de felicidade já aparecia na poesia grega mesmo antes do surgimento da filosofia, e era relacionada à imortalidade, sendo algo exclusivo dos deuses gregos.

Com o tempo, tal concepção foi se alterando. Com Platão e alguns de seus contemporâneos, ser feliz passou a ser compreendido como a realização da natureza de cada ser. A natureza humana, por exemplo, consistia na capacidade de pensamento, reflexão e diálogo. “Outra visão dos gregos é a de que, por não sermos autossuficientes, precisamos do outro; portanto, a felicidade só é possível no campo político”, disse a Profª Aparecida.

A docente explicou ainda que o entendimento da dimensão do coletivo como algo imprescindível para a felicidade foi se perdendo com o passar dos anos, dando lugar ao individualismo, ou seja, ocorreu um desmembramento entre a felicidade e a esfera política. “A incidência da infelicidade, hoje em dia, pode estar relacionada à perda do senso coletivo”, conjecturou a professora, ao falar sobre o contexto atual.

FELICIDADE COMO OBRIGAÇÃO – Valton de Miranda fez uma crítica ao caráter de obrigatoriedade que a sociedade contemporânea coloca sobre a felicidade. “Todo mundo se programa para ser feliz. [...] O mercado quer que sejamos felizes”, apontou, ao citar o surgimento do Prozac no fim dos anos 1980, medicamento utilizado no tratamento da depressão e apelidado de “pílula da felicidade” . Na abordagem psicanalítica, ele lembrou que há um superego individual e grupal nos dizendo reiteradamente que precisamos ser felizes.

Valton tratou também da percepção de felicidade na visão de Karl Marx, para quem esta consistia na superação da alienação provocada pelo sistema capitalista. Porém, disse o psicanalista, o ser humano tende a aceitar, por variadas motivações internas, as teses de seu opressor. “Vivemos um complexo medúseo, que nos petrifica e impede nosso pensamento e nossa ação”, analisou, em alusão à personagem da mitologia grega chamada Medusa, que transformava em pedra aqueles que a encaravam.

Essa espécie de fascinação que se tem ante o opressor é o que explica, em parte, o ressurgimento das tiranias. Ao encerrar sua participação, Valton disse que é muito importante poder falar livremente. “A resistência que o saber pode opor ao obscurantismo tem de ser colocada desde já”, concluiu.

TEMAS DE PONTA – O vice-reitor, Prof. Custódio Almeida, salientou a importância e a qualidade das temáticas discutidas nos painéis do Colégio de Estudos Avançados. “O Colégio tem uma pauta livre e verdadeiramente universitária, propondo temas de várias dimensões, temas de ponta, que não são superficiais”. Segundo ele, ações desse tipo são fundamentais para que a Universidade não fique apenas respondendo a demandas, limitada pela estrutura burocrática, mas sim exercendo seu protagonismo por meio de uma postura propositiva.

A apresentação do evento ficou a cargo do Prof. Álvaro Leite, vice-coordenador do CEA, enquanto a apresentação dos palestrantes foi feita pelo Prof. Luis Silva Barros, docente visitante do Programa de Pós-Graduação em Sociologia.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional – fone: 85 3366 7331

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