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Mudanças de vida e perspectivas profissionais dão o tom da primeira noite do ciclo de colações de grau 2025.2 em Fortaleza

A sabedoria milenar grega já reconhecia na transformação uma inerência da vida. “Nada é permanente, salvo a mudança”, cunhou o filósofo Heráclito. Todo caminho que trilhamos na vida está, portanto, imbuído desse espírito que alimenta novas versões de nós mesmos. No fim da tarde dessa quarta-feira (25), centenas de graduandos celebraram, na Concha Acústica da UFC, uma transição importante em suas vidas: a mudança de estudantes para profissionais formados. 

Imagem: Formanda em frente a banner institucional

Colaram grau na cerimônia que marcou a abertura do ciclo de colações de grau 2025.2 em Foraleza um total de 504 concluintes, oriundos da Faculdade de Medicina (Famed) - curso de Fisioterapia; Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE); Faculdade de Direito (Fadir); Instituto de Cultura e Arte (ICA); Instituto de Educação Física e Esportes (Iefes); Instituto UFC Virtual (IUVI); Instituto de Ciências do Mar (Labomar) e Instituto de Arquitetura e Urbanismo e Design (IAUD).

Veja outras imagens da solenidade no Flickr da UFC

AMPLIANDO PERSPECTIVAS - Na analogia do devir, Heráclito argumentou que ninguém se banha no mesmo rio duas vezes. Do mesmo modo, quem conclui uma graduação não é a mesma pessoa que entrou, pois o percurso implica em uma renovação do olhar. Assim ocorreu com Gabriel Amaral, o Gabo, que ingressou no curso de Design-Moda como uma forma de dar vazão à sua criatividade. “Desde criança desenho muito e queria trabalhar com uma coisa que expressasse isso e tivesse algum tipo de carreira. Atualmente trabalho com design de estampas, então consigo ver as minhas criações materializadas”, disse. 

Imagem: formanda posa no jardim da Reitoria

Pessoa autista, Gabo conviveu com outros estudantes neurodivergentes ao longo da caminhada universitária, o que fez com que compartilhasse experiências e identificasse demandas comuns no campo da inclusão. “A gente tem que normalizar pessoas diferentes como eu. Fazer o que estou fazendo é um passo pra gente ver essas pessoas que são ditas como diferentes na sociedade ocuparem espaços que são delas por direito. Quero deixar claro que todos os autistas, com as adaptações necessárias, têm potencial muito maior do que as pessoas nos dão crédito”, afirmou. 

Foi também na infância que Marlon Martins alicerçou o objetivo de estudar música. Após experiências na banda da escola, o flautista não teve dúvidas para escolher a profissão futura. Porém, as vivências do curso de licenciatura em Música fomentaram no jovem uma mudança de enfoque de atuação, saindo da performance para a docência. “O curso me trouxe essa perspectiva da música através da educação. Foi bem interessante discutir esse aspecto da formação humana e não só da técnica, mas a questão da convivência. Teve muito dessa contribuição para a minha formação”, relatou. Integrante do grupo Maracatu Solar, Marlon projeta ainda voltar à academia em cursos de pós-graduação.

Imagem: formando posa ao lado da mãe

A Natália Martins que cursou pela primeira vez, há uma década, o curso de licenciatura em Educação Física ainda não sabia, mas sua vida muito mudaria até a conquista do segundo diploma. Casamento, filho e mudança de casa chegaram junto com o sonho de cursar novamente Educação Física, agora como bacharelado, e atuar com o público acima dos 60 anos. “Voltar ao curso foi algo de ‘Meu Deus, não vou conseguir!’, pois estava morando longe, com filho pequeno, trabalhando, mas eu queria muito isso, principalmente para poder trabalhar com idosos. Graças a Deus deu certo e tem um gostinho muito mais especial. Estou muito feliz de ter feito o curso na UFC, com professores maravilhosos, aprendi muito mesmo”, revelou.

Da matrícula de Rycleson Araújo no curso de Administração sobrou apenas a lembrança, pois no meio do caminho a paixão pela sétima arte falou mais alto. Após um novo Enem, Rycleson ingressou no curso de Cinema e Audiovisual e teve contato com o formato documentário, atuando em iniciativas sobre os povos indígenas do Ceará. “Participei de um projeto no qual a gente fazia retratos audiovisuais desses povos. Acho que esse foi um dos trabalhos mais relevantes de que participei durante a graduação”, comentou. A experiência, segundo o recém-formado, trouxe mais do que aprendizados, mas uma consciência sobre a função social do cinema. “Meu trabalho não busca dar voz, pois essas pessoas já têm voz. Na verdade, é uma ferramenta de perpetuação da memória. Uma das principais funções do cinema é isso: repassar esses saberes para as futuras gerações”, avaliou.

Imagem: formando posa na Reitoria

DISCURSOS - Compondo a solenidade, discursou a oradora discente Gabrielly Sampaio, do curso de Design. Em uma fala bem-humorada, a jovem listou o que nomeou de “experiências canônicas” dos graduandos, que incluíam frequentar o Restaurante Universitário, passar madrugadas em claro estudando, pegar ônibus para ir à aula e fazer amigos, esses últimos companhias fundamentais ao longo do processo. “A caminhada de cada um até a entrega deste diploma é única e cheia de particularidades, mas também é repleta de diversas experiências comuns para todos que estudaram e estudam aqui. Meio paradoxal, devo admitir, mas conseguimos e hoje estamos aqui não apenas para pegar nossos diplomas, mas para encerrar um ciclo”, declarou.

Fazendo alusão a nomes de relevo da música e da literatura brasileira, o orador docente Marcelo Soares, do Labomar, enfatizou a importância de aliar o saber científico à consciência social na vivência profissional. “Nesses anos que ficaram aqui, vocês tiveram o conhecimento científico, tecnológico, que é uma parte. Mas existem outras partes que são o amor, a esperança e a sabedoria. Se vocês tiverem só o conhecimento científico e tecnológico, vocês podem até fazer coisas ruins. Mas se vocês unirem o conhecimento à consciência, ao amor, à sabedoria, aí sim vocês vão fazer uma coisa muito importante que se chama revolução”, pontuou.

Imagem: professor discursa no púlpito

Encerrando os discursos da noite, o reitor Custódio Almeida mencionou a Lei de Cotas e ressaltou a importância de políticas públicas para a democratização do acesso ao ensino superior. “Com ela (Lei de Cotas), tivemos uma transformação profunda no perfil dos estudantes das universidades federais. Hoje, cerca de 70% dos nossos estudantes são oriundos de famílias de baixa renda e territórios periféricos, ocupando vagas por cotas e também pela ampla concorrência. Isso não é concessão: é justiça histórica, é reparação, é democratização real do acesso ao ensino superior público de qualidade”, ilustrou. 

O ciclo de colações de grau em Fortaleza segue nesta quinta-feira (26), com a formatura dos concludentes dos cursos ofertados pelo Centro de Ciências (CC), Centro de Tecnologia (CT) e Centro de Ciências Agrárias (CCA). 

Fonte: Cerimonial da UFC – fones: (85) 3366.7313 e 3366.7314

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