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UFC titula 546 mestres e doutores em cerimônia inédita; confira fotos e detalhes da cerimônia

Em vez dos capelos, as pelerines. De cara, essa era a principal diferença na noite desta quinta-feira (5), na Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), quando a instituição realizou sua primeira cerimônia de titulação de mestres e doutores.

Coloridas segundo a área de conhecimento de cada programa de pós-graduação, as pelerines são uma espécie de capa, que recai sobre os ombros por cima da beca, e deram um visual ainda mais festivo para a solenidade. Centenas de pontinhos verdes, amarelos, vermelhos e azuis espalharam-se pelos jardins do prédio e pelas arquibancadas da Concha Acústica, em merecida  e inédita celebração, acompanhados de amigos e familiares.

Imagem: Dez pessoas posam juntas em frente a um prédio claro, sorrindo para a câmera. Ao centro, está uma mulher negra de cabelo cacheado e veste talar azul

A ocasião reuniu 126 doutores e 420 mestres formados em 2024. Entre eles estava Nathalia Santiago de Pinho, que não se fez de rogada e levou mãe, sobrinho, amiga e irmãos para comemorar. Motivos há de sobra: agora, além de primeira da família com graduação, é a primeira mestra, formada pelo Programa de Pós-Graduação em Avaliação de Políticas Públicas (Mapp), do Centro de Ciências Agrárias.

Egressa do curso de Direito da UFC, Nathalia encontrou no Mapp a possibilidade de aliar a pesquisa ao exercício da sua área de conhecimento na prática. “Quando falamos de política pública, estamos falando da ação do Estado para quem mais precisa, falando da função social do Direito. Foi isso que me levou ao mestrado”, resumiu a jovem.

Veja outras imagens da solenidade no Flickr da UFC

Assim como na graduação, os desafios foram muitos. “Quando entrei no curso de Direito, fiz parte de uma das primeiras turmas cotistas, com critério de raça, de renda e egressa de escola pública. Da mesma forma, chegar até o mestrado foi bem difícil. Então as políticas da universidade são fundamentais”, reforçou, já pensando no doutorado. “Tenho planos, quem sabe, né, na UFC de novo”.

PRESENTE – No caso de Ana Beatriz Lima Cavalcante, esses planos já estão sendo vividos. Embora tenha comemorado a titulação de mestra na cerimônia, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Cardiovasculares (PPGCardio), da Faculdade de Medicina, ela cursa desde 2024 doutorado em Ciências Morfofuncionais, também pela UFC.

Imagem: Duas mulheres posam abraçadas em um jardim diante de um prédio histórico da universidade. A mulher à esquerda usa beca preta com capa verde e sorri para a câmera. A mulher à direita veste um vestido claro com estampa azul. Ao fundo aparecem gramado, colunas brancas e a fachada do edifício

“Emendei mestrado com doutorado, a UFC virou minha casa”, brincou a jovem, graduada em Enfermagem pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). “Sempre quis a pesquisa, o ensino, e gosto muito de ciências cardiovasculares. A pesquisa é um mundo de oportunidades, para investigar e melhorar cada vez mais a vida em sociedade”, continuou.

Para Ana Beatriz, a cerimônia teve gostinho de dupla comemoração: “hoje é meu aniversário, e esse é meu presente”, declarou, com sorriso no rosto.

Já para Rômulo Costa a pós-graduação foi o caminho para suprir uma necessidade de se aprofundar após dez anos atuando no jornalismo. “Queria pesquisar o campo da comunicação, que tem sido bastante impactado pelas plataformas digitais. São transformações que me impressionaram como profissional e me motivaram a buscar respostas através da pesquisa acadêmica”, explica. 

Imagem: Homem jovem, sorridente, veste beca preta com faixa vermelha e segura um letreiro branco escrito “EU ❤️ UFC”. Ele está em frente a um prédio histórico de paredes em tom salmão claro e colunas brancas

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom), do Departamento de Jornalismo, ele revela que um dos maiores desafios foi conciliar os estudos com a rotina de trabalho – em um cenário agravado, à época, pela pandemia de covid-19. “Esse contexto tornou tudo ainda mais desafiador. No entanto, estar na pós-graduação nesse momento foi fundamental para entender o cenário e enfrentar o negacionismo”, recorda.

MULHERES NA CIÊNCIA – No discurso que abriu a solenidade, a professora Célia Regina Monteiro, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação, relembrou os marcos que deram início à trajetória da pós-graduação na UFC: as defesas da primeira dissertação de mestrado, em 1967, e da tese de doutorado, em 1993 (primeira, também, no estado do Ceará).

“De lá para cá, construímos uma trajetória incrível. Hoje temos 89 programas de pós-graduação, com 143 cursos. Na última avaliação quadrienal, divulgada agora em janeiro, alcançamos o maior número de programas com conceito 7 (nota máxima atribuída a programas de pós-graduação no Brasil pela Capes). Nossa produção científica tem inserção internacional, dialoga com redes globais e impacta diretamente todas as áreas do conhecimento”, recordou a gestora.

Imagem: Mulher de meia-idade, com cabelos escuros na altura dos ombros e óculos, fala ao microfone atrás de um púlpito de madeira com o brasão da UFC. Ela usa beca e uma capa azul sobre os ombros. A cena acontece à noite, em um espaço externo com iluminação artificial e vegetação ao fundo.

“E vocês fazem parte dessa história. Esses não são apenas números, são pessoas, histórias e vidas transformadas. Vocês são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil. São os profissionais que agora irão produzir conhecimento. A pesquisa tem papel social inquestionável. Ela melhora processos, fortalece a democracia, preserva  meio ambiente e reduz a desigualdade”, continuou a docente

Regina Célia pontuou também as dificuldades acentuadas vividas sobretudo pelos então doutorandos no período da pandemia de covid-19.” Essa geração carrega uma marca de resiliência que certamente a acompanhará por toda a vida”, sublinhou.

A professora ressaltou, ainda, as dificuldades e vitórias das mulheres na carreira acadêmica. “Sei por experiência própria o que significa conciliar  maternidade e pós-graduação. Conheço os medos, as culpas e, ao mesmo tempo, a força que emerge dessa experiência. Hoje 53% de mestrandos e 47% de doutorandos da UFC são mulheres”, comemorou, relacionando os números às políticas públicas voltadas para mulheres na universidade – entre bolsas, licença maternidade e prêmios. “Neste ano, lançaremos a primeira sala de apoio à amamentação na Biblioteca Central do Campus do Pici. E nós queremos muito mais”, projetou, aplaudida pelo público.

POLÍTICAS PÚBLICAS – Na sequência, representando seus colegas mestres, Jorgiane Pires Bezerra, formada pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, com ênfase em Recursos Hídricos, fez uma fala destacando o aspecto coletivo de cada conquista ali. “Ninguém faz ciência sozinho. Se hoje nós celebramos é porque tivemos a orientação dedicada de nossos professores e o apoio da nossa universidade pública. Acima de tudo, tivemos nossas famílias e amigos nos momentos de maior exigência”, reconheceu.

Imagem: Mulher jovem, de cabelos longos escuros e óculos, discursa atrás de um púlpito com o brasão da UFC. Ela veste beca preta e uma capa azul, e gesticula com uma das mãos enquanto fala ao microfone.

Escolhido para representar os doutores, José Felipe Oliveira da Silva, formado pelo Programa de Pós-Graduação em História, também demarcou em sua fala a relação intrínseca entre conquistas na ciência e trabalho coletivo. “Esta cerimônia não celebra apenas aqueles que hoje recebem a titulação. Ela também presta homenagem a todos que vieram antes de nós. Pesquisadores e pesquisadoras que defenderam suas teses, dissertações, quando ainda não havia esta solenidade. Professores que fundaram programas de pós-graduação, gestores e equipes acadêmicas que consolidaram linhas de pesquisa e ampliaram o reconhecimento científico da UFC”, elencou.

“Se esta é a primeira cerimônia de titulação de pós-graduação da universidade, que ela inaugure uma tradição marcada pela celebração da ciência, da diversidade e do compromisso social. Que cada doutor e doutora formado leve consigo não apenas o orgulho de pertencer à UFC, mas também a responsabilidade de contribuir para um país mais justo, mais desenvolvido e humano”, torceu o orador.

Imagem: Homem jovem, de cabelos curtos e barba leve, veste beca escura e uma capa azul brilhante. Ele está de pé atrás de um púlpito de madeira com o brasão da Universidade Federal do Ceará, falando ao microfone durante uma cerimônia noturna ao ar livre.

Finalizando a cerimônia, o reitor Custódio Almeida frisou a importância da cerimônia e do próprio ato de celebrar. “Estamos aqui construindo juntos algo pioneiro. Pela primeira vez reunimos em uma mesma solenidade aquelas e aqueles que atravessaram uma das experiências mais exigentes e transformadoras da vida acadêmica: a pós-graduação”, reconheceu.

“Sabemos o quanto os rituais são parte constitutiva da experiência humana. É por meio deles que marcamos passagens, reconhecemos conquistas e inscrevemos no tempo aquilo que não pode se perder na rotina. É isso que estamos fazendo aqui. Os símbolos são linguagens profundas da psiquê humana. Eles organizam afetos, consolidam pertencimentos e transformam trajetórias individuais em memória coletiva. Hoje celebramos não apenas títulos concedidos, mas a confirmação de uma série de vocações ”, reforçou o gestor.

Fonte: Cerimonial da UFC – fones: (85) 3366.7313 e 3366.7314

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