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Colação de grau 2025.2 no Campus de Russas celebra diferentes histórias de vida reunidas sob a conquista do diploma

Um colorido especial tomou conta do hall de entrada do Campus de Russas da Universidade Federal do Ceará (UFC), na terça-feira (10). Não somente pelos tons azuis das faixas nas becas, mas pela diversidade de raças, perfis socioeconômicos e até nacionalidade dos 89 formandos e seus convidados, que participaram da sexta cerimônia do ciclo de colações de grau do semestre 2025.2, após solenidades em Fortaleza, Sobral e Crateús.

Brancos, pretos, pardos, homens e mulheres de diferentes idades e contextos sociais reuniram-se para celebrar um rito de passagem, que marca o encerramento de um ciclo e o início de muitos outros. Entre eles estava Mariana Fonseca Santos, de 25 anos. Natural de Chaval, município próximo da divisa do Ceará com Piauí, a jovem mudou-se para Russas para cursar Engenharia de Produção. “Vim sozinha, sem conhecer ninguém nem a cidade”, recordou.

Imagem: a concludente Mariana Fonseca Santos, de 25 anos

A experiência foi entrecortada por uma temporada de volta com a família, durante a pandemia de covid-19. Mas entre os desafios das aulas online e a volta ao presencial, novamente sozinha, não diminuíram a paixão pela área escolhida. “Comecei o curso com o objetivo de migrar para Engenharia Civil, mas terminei me encontrando na Engenharia de Produção”, contou, sorrindo.

Aprovada pela Lei de Cotas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Mariana é a primeira de sua família a completar o ensino superior. Hoje, mora e trabalha em Fortaleza. “Retornar a Russas para a colação traz um sentimento de realização. Não foi fácil, mas a gente se apega aos amigos, que nos dão força e se tornam nossa segunda família. São pessoas que levamos para o resto da vida”, reconheceu.

PAIXÃO PELA ÁREA – Para Ligia Lima, de 28 anos, essa experiência foi ainda mais literal. Formada também em Engenharia de Produção, no Campus de Russas ela conheceu o atual companheiro, Dário Rodrigues, com quem divide a vida há seis anos. “Ele é aluno de Engenharia de Software, ainda vai se formar”, contou.

Imagem: Ligia Lima e o companheiro, Dário Rodrigues

Natural do município de Cascavel, Ligia também se mudou para Russas, assim como Mariana, com o intuito de estudar. E, da mesma forma, também se apaixonou pelo curso. “Costumo dizer que Engenharia de Produção me escolheu, e não o contrário. Sou apaixonada pela parte da ergonomia, que trabalha a antropometria, a segurança do trabalho, a saúde do trabalhador, e também a gestão de qualidade de produtos”, detalhou.

O encantamento não é por acaso. Pessoa com deficiência, Ligia acessou a universidade pelo sistema de cotas e enfrentou desafios de acessibilidade, de exclusão e de preconceito na sua jornada de formação. “Não vou mentir, foi difícil, mas não deixava isso me paralisar. Todo dia eu recomeçava e seguia em frente”, orgulhou-se. “Nesse processo agradeço imensamente a UFC e aos meus professores, que contribuíram para eu me tornar uma profissional na área dos meus sonhos”.

Veja outras imagens da solenidade no Flickr da UFC

DE PERTO E DE LONGE – Para João Victor Gomes dos Santos, de 24 anos, a distância percorrida, geograficamente falando, foi ainda maior. Natural de Iaçu, interior da Bahia, chegou a Russas sem conhecer ninguém. “Mas é isso, quando passei disse ‘bora’. Não foi fácil, quatro anos longe de casa, mas deu certo, hoje estou aqui me formando”, comemorou o novo cientista da computação.

Imagem: o formando João Victor dos Santos e sua família

Mais uma vez, os amigos feitos ao longo da jornada são lembrados como fundamentais. “São eles que estão lá na alegria e na tristeza. O próprio povo da cidade foi muito acolhedor. Sempre que precisei, as pessoas, os vizinhos, todos estavam dispostos a ajudar”, comentou. Acompanhado dos pais, da esposa e dos irmãos pequenos, João Victor confessou que, mesmo cercado dos símbolos da colação, ainda estava digerindo o momento. “A ficha ainda tá caindo”, brincou.

Também formada em Ciência da Computação, Maria Teresa Matoso Chaves, de 24 anos, é natural de Russas e, ao contrário do colega, aproveitou justamente a oferta do curso para não precisar sair da cidade. “Comecei a me interessar por desenvolvimento de jogos, então decidi investir na área de programação. O fato de não ter tantas mulheres na graduação tornou um pouco mais difícil no começo pra se encaixar em um grupo, fazer amigos, mas isso passou e, de modo geral, me senti acolhida. Hoje me sinto muito feliz e realizada”, comemorou.

Imagem: a formanda Maria Teresa e seus pais

RESILIÊNCIA E RESPONSABILIDADE – No discurso que abriu a noite, a formanda Shirley Naira da Silva, do curso de Engenharia Mecânica, destacou a resiliência necessária para chegar àquele momento, bem como a responsabilidade de cada colega a partir dali. “Agora nossas decisões terão impacto real na vida de muitas pessoas. Projetos sairão do papel, ideias ganharão forma, soluções serão implementadas. Que nunca nos falte ética, humildade e coragem. E quando alguém nos perguntar de onde viemos, que possamos responder com orgulho: viemos da Universidade Federal do Ceará”, resumiu, sob fortes aplausos.

Imagem: a oradora discente

Na sequência, o orador docente Anderson Feitosa Leitão, coordenador do curso de Engenharia de Software, pontuou sobre como a missão da universidade ganha contornos particularmente impactantes no interior. “Aqui a universidade transforma realidades, forma profissionais e cidadãos capazes de contribuir com suas comunidades, de levar conhecimento para onde ele ainda não chegou, de fazer a diferença onde muitas vezes faltam oportunidades E é justamente por isso que o diploma que vocês recebem hoje tem um valor imenso. Ele carrega não apenas um conhecimento técnico, mas também um compromisso social”, avaliou.

Imagem: o orador docente

Já o reitor Custódio Almeida, apesar da ocasião solene, não se furtou a imprimir um caráter emocional em seu discurso, frisando o exato momento na cerimônia em que os concludentes recebem o título e passam a ser profissionais. “Esse não é um tempo cronológico. Os gregos chamavam esse tempo de kairológico”, referindo-se à noção de tempo ligada ao aspecto qualitativo do viver, ao senso de oportunidade, aos momentos fora do ordinário, carregados de significados – em vez do aspecto quantitativo que marca o tempo cronológico.

“É o instante que é quase uma eternidade. Aqueles momentos especiais da vida da gente. E esse, agora, é um deles. Um dos ritos de passagem que a universidade escolhe para celebrar seus estudantes, mas também sua própria história”, detalhou.

Imagem: alunos estrangeiros

O discurso também abordou o âmbito coletivo das conquistas na educação, por meio, sobretudo, da implementação de políticas públicas de incentivo e inclusão, e a responsabilidade que elas implicam. “Hoje reconhecemos o êxito individual de cada formando e de cada formanda, mas também renovamos a missão institucional da UFC de servir a sociedade com excelência, ética e compromisso. A partir desse momento vocês se unem a essa comunidade ampla e plural que cotidianamente contribui para o avanço científico, tecnológico, social e humano do Ceará e do Brasil”, observou o gestor.

Custódio chamou atenção ainda para três estudantes estrangeiros que se formavam naquela ocasião, celebrando os diálogos viabilizados pelas políticas interinstitucionais da UFC. Ricardo Jorge Gertrudes dos Santos e Breno Oliveira Maurício Lima, de Cabo Verde, e Wilker Nsamo, de Angola, agora levarão todo o aprendizado construído na universidade para fronteiras ainda mais distantes.

Fonte: Cerimonial da UFC – fones: (85) 3366.7313 e 3366.7314

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