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Com palestra da ministra Cármen Lúcia e entrega de prêmio, primeiro UniversiDELAS cumpre missão na construção de políticas de equidade

Reunir para fortalecer. Em poucas palavras, essa foi a proposta do primeiro UniversiDELAS - Simpósio de Gênero e Interseccionalidades, que aconteceu de 16 a 18 de março na Universidade Federal do Ceará (UFC). O evento trouxe à comunidade acadêmica e ao público geral uma programação protagonizada por mulheres, incluindo apresentações e pitchings de trabalhos de pesquisa, mesas e palestras, lançamentos, visitas guiadas e a entrega da segunda edição do Prêmio Lúmina – Mulheres Brilhando na Ciência.

De caráter acadêmico, cultural e formativo, o evento teve como objetivo promover o debate sobre as experiências, produções e atuações das mulheres no ensino superior, considerando as interseccionalidades de gênero, raça, classe, sexualidade, geração, território e outros marcadores sociais da diferença. Ao longo de três dias, professoras, técnicas administrativas, estudantes da graduação e da pós-graduação e convidadas puderam conhecer as produções e atuações umas das outras, fortalecendo redes de contatos, ideias e reconhecimento.

Imagem: Em sala institucional, sete mulheres posam lado a lado sorrindo para a câmera. Ao centro, uma delas segura um documento aberto. Ao fundo, há bandeiras e um painel com identidade visual do evento.

“O que vemos é esse fio condutor do gênero como marcador. Estamos fazendo algo comparado com o que, na química, chamamos de precipitação ou cristalização. Ou seja, a atuação de mulheres na academia existe, mas ainda é diluída, e isso gera a sensação que estamos sozinhas ou fazendo algo que ninguém fez ainda. Quando juntamos todas essas mulheres trazemos a oportunidade de precipitar, de concentrar e de nos encontrarmos”, comparou a vice-reitora da UFC, Diana Azevedo.

Já no primeiro dia de primeira visita ao espaço Zuleide Martins, dedicado à apresentação de posters, a gestora comemorou a quantidade de participantes e a diversidade de áreas do conhecimento contempladas – de história a ciências da computação, passando por meio ambiente, psicologia, linguística, artes, saúde, tecnologia da informação e da comunicação, direito e outras. Ao todo, foram 198 trabalhos aprovados para o simpósio, não apenas da UFC, mas de outras instituições de ensino do estado, como IFCE e Unifor.

“Nossa avaliação é extremamente positiva, superou as expectativas em termos de participação e de impacto. Vemos na expressão das pessoas o quanto elas estão felizes de estarem num simpósio com esse recorte de gênero”, avaliou Luzimar Araújo, diretora da unidade realizadora do evento, a Divisão de Equidade, Diversidade e Inclusão (Dedi), ligada à Pró-Reitoria de Pessoas (Progep) da UFC.

Veja outras imagens do evento no Flickr da UFC

ABERTURA COM CÁRMEN LÚCIA – A forte presença de público foi comemorada já no primeiro dia de programação, segunda-feira (16), quando se esgotaram as inscrições para a palestra de abertura com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Diante de uma plateia que lotou o Auditório da Faculdade de Direito, ela abordou o tema “Mulheres, Ciência e Trabalho: caminhos de igualdade, produção de saber e justiça social”.

Imagem: Em auditório, uma mulher de cabelos grisalhos, vestindo blazer preto com detalhes claros, fala ao microfone em um púlpito com o brasão e a sigla UFC. Ela olha à frente com expressão firme, em momento de discurso.

Única mulher na composição atual da corte, Cármen Lúcia ressaltou que “sem a presença de mulheres, não há democracia verdadeira”. “A ‘coisificação’ da mulher se repete. Matam-nos de muitas formas. Nós resolvemos viver de todas as formas”, avisou. A ministra abordou a urgente necessidade de superar as violências contra a mulher, cada vez mais ostensivas, agressivas e graves para a convivência humana.

“Desde o início a gente queria que a abertura fosse uma mulher que tivesse um impacto nacional, e o da Cármen Lúcia era o primeiro da lista. Estamos muito felizes que deu certo”, comemorou Luzimar. 

Veja mais imagens da palestra de abertura no Flickr da UFC

ILUMINANDO TRAJETÓRIAS – Também destaque na programação, a entrega da segunda edição do Prêmio Lumina – Mulheres Brilhando na Ciência fechou o simpósio com clima de celebração e reconhecimento. A honraria, que tem como objetivo destacar as contribuições de pesquisadoras da UFC em diferentes áreas, premiou 11 servidoras da instituição.

Confira o resultado final com todos os nomes

Uma delas foi Narelle Maia de Almeida, professora do Departamento de Geologia e pesquisadora na área de geologia e geofísica marinha e do petróleo. A docente teve uma participação muito especial ao receber o prêmio: o filho Zion, de sete anos, que subiu ao palco. “Conciliar a maternidade com a atuação na pesquisa, ainda mais sendo uma mãe atípica, só é possível com redes e políticas públicas de apoio. “Se eu não tivesse essa rede seria inviável, ainda mais na minha área, que exige atividades de campo: embarque, offshore, viagens, congressos. Então tenho muitas pessoas a agradecer”, frisou.

Imagem: Três mulheres e uma criança posam juntas sorrindo. Uma das mulheres segura um documento aberto voltado para a câmera. A criança, apoiada na lateral, inclina o corpo de forma descontraída. Ao fundo, bandeiras e cadeiras de auditório.

Sobre a honraria, Narelle destacou um sentimento de gratidão e responsabilidade ao mesmo tempo. “Eu sei a dimensão da UFC, fui aluna de graduação e do doutorado aqui, é uma universidade referência, com muitas pesquisadoras excelentes. Então ter recebido esse prêmio é um reconhecimento magnífico, e por isso sinto uma grande responsabilidade de dar continuidade ao desenvolvimento de uma ciência de qualidade, sempre prezando por esses princípios de sustentabilidade, de equidade de gênero”.

Veja mais imagens da premiação no Flickr da UFC

REDE DE ARTICULAÇÃO – O encerramento da solenidade contou ainda com a assinatura simbólica de uma carta de compromisso na qual gestores de instituições públicas e privadas de ensino superior do Ceará firmam participação na construção de uma política interinstitucional permanente voltada à diversidade, à inclusão e à justiça social. 

“É ousado mas necessário assumirmos que a equidade de gênero não é um gesto simbólico nem uma ação pontual. É um princípio estruturante da democracia no ensino superior, com metas, indicadores, mecanismos de monitoramento e avaliação periódica e responsável”, detalha o texto. 

Para o momento da assinatura, foram convidadas à mesa do palco a vice-reitora da Unilab, Eliane da Costa; a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFCE, Joélia de Carvalho; a chefe da Divisão de Responsabilidade Social da Unifor, Maely Borges; a pró-reitora de Extensão da Uece, Maria Anezilany do Nascimento; e a vice-reitora da UFC, Diana Azevedo.

Em sua fala, Diana explicou que uma das ideias discutidas nessa rede de articulação, já para os próximos anos, é fazer do UniversiDELAS um evento itinerante, a ser realizado em diferentes as instituições parceiras, de modo a fortalecer a presença e a pluralidade da proposta.

Vale destacar ainda, dentro da programação, a solenidade de inauguração do Banco Vermelho, realizada na terça-feira (17) nos Jardins da Reitoria. O ato simbólico integra uma iniciativa internacional para a conscientização e o enfrentamento do feminicídio, indo ao encontro das ações e condutas que a instituição já promove em diferentes frentes.

Imagem: Em área externa arborizada, um grupo numeroso de mulheres de diferentes idades e estilos de vestimenta se reúne em semicírculo sob uma grande árvore. Ao centro, uma mulher em pé fala para as demais, que a escutam com atenção

A solenidade contou com a performance "Banco Vermelho", criada e interpretada pelas professoras Denise Parra, Rosa Primo e Catherine Furtado, dos cursos de Música e Dança da UFC, e com assistência de direção de Anamaria Fernandes.

A construção do UniversiDELAs teve início em outubro de 2025, como fruto do Prêmio Mulheres e Ciência, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no qual a UFC foi laureada na categoria Mérito Institucional. 

Fonte: Divisão de Equidade, Diversidade e Inclusão da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas da UFC - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

Endereço

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