Açude Santo Anastácio, no Campus do Pici, tem etapa de limpeza concluída com uso de maquinário inédito em Fortaleza
- Terça, 24 Março 2026 11:50
- Escrito por UFC Informa
Uma das etapas de limpeza do Açude Santo Anastácio (ASA), localizado no Campus do Pici Prof. Prisco Bezerra, em Fortaleza, foi concluída após três meses e 15 dias de trabalhos, executados pela Defesa Civil de Fortaleza. A ação é um dos propósitos da parceria firmada entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Prefeitura de Fortaleza, que prevê a recuperação de áreas verdes e outras ações ambientais.
Na fase entregue, foi feita a retirada do excesso das macrófitas aquáticas (aguapés e taboas), utilizando dois pontos de acesso ao açude, com início pelo cruzamento das ruas Tim Maia e Lorena, no bairro Pici, e depois pelo portão de entrada da avenida Professor Andrade Furtado, já dentro do campus.

Além das macrófitas, foram removidos diversos resíduos sólidos urbanos oriundos de descartes irregulares, que chegam ao ASA pelo caminho das águas, desde o vertedouro da Lagoa da Parangaba até o campus, e por outros pontos de descarte em zonas de ocupações. Foram recolhidas 2.820 toneladas de resíduos, com uma média de 30 toneladas por dia, envolvendo diretamente equipe de oito a dez pessoas diariamente.
Além da retroescavadeira, foi utilizado um maquinário específico, inédito em Fortaleza, que auxilia nas operações da Defesa Civil: o trator aquático Hidrotractor. Com grande eficiência em roçar, recortar, rebocar, colher e remover ilhas de vegetações aquáticas, tanto as flutuantes soltas como as emaranhadas entre si e ancoradas, o equipamento acessa pontos nas margens do açude e em locais de difícil acesso, mais distantes do vertedouro, para a remoção do excesso das plantas aquáticas e outros resíduos.
A partir dessa ação, já se identificam a diminuição de mosquitos proliferadores de arboviroses e benefícios diversos para a saúde do ecossistema local. Como consequência, há redução do processo de eutrofização do açude, ampliação do espelho d'água, aumento da oxigenação do corpo d'água, minimização dos impactos e riscos ambientais à montante e à jusante do açude (evitando inundações, doenças e comprometimento maior na vida das famílias do entorno) e melhorias na microbacia urbana do rio Maranguapinho, que se reflete no rio de mesmo nome, maior afluente do rio Ceará.

HISTÓRICO - À época da assinatura do acordo entre a UFC e a Prefeitura, em 2025, realizou-se percurso que envolveu o açude, a trilha da Matinha do Pici, a Lagoa do Porangabuçu e as proximidades do canal do bairro Bela Vista. Na ocasião, foram identificadas questões que afetam o ASA e suas soluções, como a implantação de ecobarreira no canal, a resolução do escape de esgoto para o ASA e a perspectiva de habitação de interesse social para a área.
A titular da Secretaria de Meio Ambiente da UFC, Aliny Abreu, afirma que “a quarta etapa encontra-se em andamento, compreendendo a requalificação da entrada principal para o açude e a Matinha do Pici, com o objetivo de facilitar as próximas ações de limpeza”.
Além das higienizações, a agenda de iniciativas da parceria inclui plantio de mudas nativas na Matinha do Pici, que está em andamento pela Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma); plano de manejo da UC (Unidade de Conservação), a ser publicado no Diário Oficial; e decreto de instalação do Conselho Gestor da Matinha, cuja presidência foi reivindicada pela UFC à Seuma.
INTERVENÇÕES RECORRENTES - A constante necessidade de saneamento do açude se dá por diversas razões: entrada direta de esgoto pela Ambiental Ceará/Cagece; ligações clandestinas de esgoto doméstico das residências ao longo do canal que interliga a Lagoa da Parangaba ao ASA; o próprio caminho das águas, que traz resíduos diversos descartados ou destinados inadequadamente, com aumento no período chuvoso. Toda essa carga orgânica elevada causa excesso de nutrientes que, por sua vez, promove o crescimento acelerado e exponencial de macrófitas.
Para evitar as limpezas no local em curtos espaços de tempo, Aliny Abreu destaca as seguintes resoluções: a colocação de ecobarreira à montante do açude, já autorizada pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão; a finalização da construção da Estação Elevatória de Esgoto (EEE) pela Ambiental Ceará; e a regularização dos esgotos clandestinos ou irregulares e obras de saneamento básico nas comunidades do entorno do açude, com instalação de redes de esgoto e interligação dos imóveis a essa rede.
“Ações efetivas e concretas de educação ambiental nas zonas de ocupações irregulares e, especialmente, no entorno de áreas mais sensíveis e ambientalmente protegidas, são primordiais para a proteção dessa microbacia urbana, interligada às bacias metropolitanas, e na recuperação dos recursos naturais da comunidade na qual a UFC está inserida”, afirma a secretária.
MÚTUA CONTRIBUIÇÃO - Essa cooperação é possível graças à atuação e investimentos de entidades como a Prefeitura de Fortaleza, a Defesa Civil, a Secretaria de Governo das Regionais (Segor) e a Regional 11, reforçando a importância da troca de experiências entre os setores que trabalham com meio ambiente na UFC e na cidade como um todo.
Com participação do corpo científico e tecnológico da universidade, a mútua contribuição se materializa em ações estratégicas e suas execuções, exemplificadas pelo Plano Diretor de Fortaleza e pelo Fórum do Clima.
“Temos a possibilidade concreta de adotar um modelo de ‘açude-escola’ no Santo Anastácio para trazer mais aprendizado sobre as soluções tecnológicas já existentes para ambientes aquáticos, bem como desenvolver novas aplicações, pesquisas e treinamentos”, conclui Abreu.
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente da UFC (SMA) - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.







