UFC integra programa federal e vai coordenar ações para levar arte e cultura às escolas de tempo integral no Ceará
- Quarta, 01 Abril 2026 16:26
- Escrito por UFC Informa
Em lançamento realizado dentro da programação do 5º Encontro do Sistema Estadual de Cultura do Ceará (Siec), no último dia 27 de março, a Universidade Federal do Ceará (UFC) oficializou sua participação como instituição parceira no programa federal Ação Arte e Cultura na Educação de Tempo Integral – uma iniciativa interinstitucional na qual os ministérios da Educação (MEC) e da Cultura (Minc) oferecem subsídios a estados e Distrito Federal na realização de atividades artístico-culturais em escolas de tempo integral da educação básica.
A UFC, por meio do Instituto de Cultura e Arte (ICA), será responsável pela execução técnica e pedagógica do programa no Ceará, com apoio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) e da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc). Para isso, foi formada uma equipe com as professoras Denise Parra (coordenadora geral) e Catherine Furtado (coordenadora pedagógica) e as técnicas administrativas em educação Elaine Vigianni e Marcela Cordeiro (coordenadoras técnico-administrativas).

“A Secult convidou o ICA para desenvolver o projeto. Vamos planejar e realizar todas as ações, desde a etapa de consultoria pedagógica até a execução e o monitoramento”, reforça Denise Parra. Segundo estabelece o programa, as propostas devem contemplar uma ou mais das seguintes linhas temáticas: história e cultura afro-brasileira e indígena; promoção da leitura e escrita criativa; aprendizado com mestres e mestras da cultura; residências artísticas; audiovisual e cinema; atividades culturais fora do ambiente escolar; e cultura do acesso e direitos culturais para pessoas com deficiência (PCDs).
EIXOS DE TRABALHO – O programa estrutura-se em dois eixos de ação. O primeiro, denominado "Artista, Presente!", amplia uma experiência iniciada em 2018, ao promover a inserção de artistas e agentes culturais no cotidiano das escolas de ensino médio em tempo integral. A proposta articula práticas pedagógicas às diretrizes da educação básica, com ênfase na valorização da diversidade cultural brasileira, especialmente das matrizes afro-brasileiras e indígenas.
“Nesse eixo artista, vamos, junto com Seduc e Secult, elaborar um edital com até 140 bolsas no valor de R$ 700. Serão bolsas de cinco meses, de agosto a dezembro e de fevereiro a junho, por conta dos períodos letivos”, detalha a professora Denise.
“Poderemos contemplar, por exemplo, mestres e mestras da cultura, artistas locais ou licenciandos do ICA, levando esses artistas para dentro das escolas, onde ele poderá desenvolver várias ações, desde que alinhadas aos componentes eletivos da Seduc”, detalha a professora Denise. Estamos na fase de últimos ajustes do edital e a previsão de lançamento é em maio”, adianta.
Já o segundo eixo, “Conhecendo com Arte”, orienta-se pela ampliação do acesso e da fruição cultural, por meio da realização de ciclos estruturados de atividades artísticas nas escolas. A ação visa promover o encontro dos estudantes com diferentes linguagens, ampliando repertórios e fortalecendo vínculos com a produção cultural contemporânea.
“Aqui a ideia é selecionar pessoas da própria unidade acadêmica, que irão desenvolver atividades nas escolas. Vamos fazer um levantamento e montar um banco de ações artísticas e culturais do ICA, para depois fazer a ponte entre a escola e a ação que ela deseja. Por exemplo, se uma escola está trabalhando percussão africana, a gente encaminha ações de fruição e mediação artística nesse campo”, explica Denise.
Projetos escalados contarão com subsídios para desenvolver as ações. “Artisticamente, nossos alunos produzem muito, mas carecem de condições para reverberar e fazer circular essa produção. Faltam recursos para deslocamento ou alimentação, por exemplo. Se eu quero levar sete violoncelos para uma escola, digamos, preciso de transporte adequado. Queremos oferecer condições para que isso aconteça e as iniciativas possam chegar às escolas”, continua a professora.

O projeto não precisa ser necessariamente de extensão. “Pode ser um grupo de pesquisa, um projeto Paip (Programa de Acolhimento e Incentivo à Permanência) ou de bolsa de iniciação acadêmica. O banco será aberto a qualquer iniciativa cadastrada na universidade, desde que atenda aos critérios previstos e esteja alinhado com componentes eletivos da Seduc”, finaliza Denise.
ARTE ALÉM DO CURRÍCULO – Ao todo, 24 das 27 unidades da federação aderiram ao programa Ação Arte e Cultura na Educação de Tempo Integral. Os convênios foram celebrados ainda no fim de 2025 e o investimento inicial é de R$ 27 milhões.
No Ceará, primeiro estado a realizar o lançamento do programa, a iniciativa deve alcançar cerca de 5.800 estudantes, em 70 escolas distribuídas por 37 municípios, ampliando o acesso à cultura e reconhecendo-a como dimensão essencial de uma formação humana e cidadã.
A cerimônia de lançamento contou com a presença de gestores da Secult, Seduc, Minc e MEC – entre eles a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, e o secretário de Formação, Livro e Leitura do Minc, Fabiano Piúba –, além de outros representantes institucionais.
“Há anos o ensino da arte é componente obrigatório nos diversos níveis da educação básica, nas linguagens de artes visuais, dança, música e teatro, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Mas nem sempre você consegue levar, por exemplo, mestres populares, artistas locais, pesquisadores às escolas, já que para dar aulas é preciso ter licenciatura”, pontua Denise.
“Ao mirar nas escolas de tempo integral, o programa fortalece a presença da arte e da cultura por meio de outra experiência, a do contato com o fazer artístico, que pra mim é um dos maiores acertos do projeto: colocar a experiência e o estado de artista dentro da escola”, avalia a docente.
Fonte: Instituto de Cultura e Arte – fone: (85) 3366.9223







