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Labomar participa de missões de combate ao peixe-leão em Fernando de Noronha e Jericoacoara

O Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) participará de missões de combate ao peixe-leão em duas importantes unidades de conservação marinha do país: o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional de Jericoacoara, nos meses de maio e junho. Espécie invasora, o peixe-leão vem se expandindo no Brasil rapidamente, desde 2020, preocupando especialistas devido aos impactos sobre peixes nativos e sobre o ambiente como um todo. 

Imagem: Imagem subaquática em tons de azul mostra uma mergulhadora usando roupa de mergulho, máscara e equipamento de respiração, em meio a formações rochosas no fundo do mar. Ela segura uma haste de contenção com um peixe-leão preso na ponta. O peixe exibe nadadeiras abertas e espinhos longos e ornamentados, em tons de marrom, branco e avermelhado. Presos ao colete da mergulhadora, há equipamentos de mergulho e acessórios em destaque na cor laranja. Ao fundo, a água azul profunda envolve a cena, reforçando o ambiente marinho.

Espécie originária do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é um predador voraz, pois cada animal adulto pode se alimentar de até 20 pequenos peixes nativos em 30 minutos, o que impacta a biodiversidade brasileira. Além disso, possui 18 espinhos venenosos, ausência de predadores naturais no Brasil e apresenta elevada capacidade reprodutiva (cada fêmea pode ter mais de dois milhões de ovos por ano), tornando seu controle um enorme desafio para a sociedade brasileira.

Recentemente, o arquipélago de Fernando de Noronha registrou a captura do maior peixe-leão já documentado no mundo, com cerca de 49 centímetros, reforçando o alerta sobre o avanço da invasão biológica. O problema também já atinge áreas protegidas do Ceará, incluindo o Parque Nacional de Jericoacoara, onde pesquisadores do Labomar da UFC vêm monitorando a presença da espécie desde 2022.

As missões de combate ao peixe-leão serão lideradas e realizadas pelo Labomar/UFC, com a participação de pesquisadores e estudantes vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais (PPGCMT), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão dos parques federais. 

O objetivo é o controle populacional da espécie invasora, a geração de dados científicos para pesquisa e monitoramento, desenvolvimento de teses de doutorado, além da capacitação de diferentes públicos envolvidos com a conservação costeira e marinha. A equipe atuará em atividades de mergulho autônomo, monitoramento e captura do peixe-leão, além de ações de educação ambiental e capacitação técnico-científica junto às comunidades locais e instituições parceiras. 

Imagem: Sete mergulhadores posam sobre uma embarcação em alto-mar, sob céu parcialmente nublado. O grupo, formado por homens, veste roupas de mergulho pretas; alguns estão descalços e outros usam parte do equipamento. Todos sorriem para a câmera e fazem gestos com as mãos.  À frente deles, sobre o piso branco do barco, estão dispostos vários peixes-leão alinhados em fileiras, resultado da ação de manejo da espécie invasora. Também aparecem equipamentos de mergulho, como nadadeiras azuis, cilindro e baldes. Ao fundo, o mar azul se estende até uma faixa de vegetação em terra firme, visível no lado direito da imagem.

Na expedição de Fernando de Noronha, de 18 a 22 de maio, participarão a doutoranda Maria Luiza Gallina (PPGCMT/UFC) e o professor Marcelo Soares (Labomar). Segundo Gallina, "a expedição em Fernando de Noronha é uma oportunidade estratégica para avançar na discussão sobre o consumo do peixe-leão como ferramenta de manejo. Transformar o invasor em recurso alimentar é uma das abordagens discutidas internacionalmente, e eventos como este são fundamentais para avaliar a viabilidade dessa estratégia em diferentes contextos", afirmou a doutoranda.

A programação na ilha contará com seminários técnico-científicos reunindo pesquisadores, gestores ambientais, pescadores, mergulhadores e comunidades locais para discutir estratégias integradas de manejo e conservação marinha. As atividades das missões são financiadas pelo ICMBIO, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e por recursos próprios da pós-graduação.

Já na missão em Jericoacoara, prevista para ocorrer de 14 a 24 de junho, estão escalados o pesquisador Wilson Franklin Jr., a doutoranda Anne Gurgel, e os professores do Labomar/UFC Marcelo Soares e Tommaso Giarrizzo. Segundo Giarrizzo, “a expedição em Jericoacoara faz parte das atividades previstas no acordo de cooperação técnica entre a UFC e o ICMBio, sendo uma ação estratégica para monitorar o tamanho da população do peixe-leão nesta importante unidade de conservação federal e subsidiar ações de controle, manejo e educação ambiental. O Parque Nacional de Jericoacoara é atualmente o terceiro parque nacional mais visitado do Brasil e, por isso, é necessário acompanhar todos os estressores ambientais, incluindo espécies invasoras, que possam comprometer a integridade ecológica da unidade de conservação, além de afetar o turismo e a economia local”, afirmou o professor do Labomar/UFC.

Fonte: Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (MARES) do LABOMAR/UFC - fone: (85) 33667010 

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