- Terça, 02 Junho 2026 15:43
- Escrito por UFC Informa
A Universidade Federal do Ceará (UFC) teve três projetos aprovados no edital da Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais (Rede HU+). A organização do certame, do qual participaram instituições de ensino superior públicas de todo o país, envolveu a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Sectics), do Ministério da Saúde.

Coordenados por docentes da Faculdade de Medicina (Famed) da UFC, os três projetos reúnem medidas de formação de redes de pesquisa, qualificação de profissionais de saúde e integração entre universidades, hospitais universitários e políticas públicas em saúde. Cada uma das propostas selecionadas receberá R$ 150 mil para custeio, bem como recursos no valor de até R$ 1,26 milhão para financiar bolsas de iniciação à extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado no período de 2026 a 2030.
A vice-diretora da Famed, professora Danielle Macedo, classifica a aprovação como uma “conquista institucional muito relevante” a partir da articulação entre ensino, pesquisa e extensão focados em questões de saúde pública e em necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A gestora ressaltou ainda os aspectos de competitividade científica e inserção da UFC em temas relevantes para o desenvolvimento nacional, a exemplo de envelhecimento, doenças raras, saúde digital e inteligência artificial aplicada à gestão hospitalar.

“São projetos que vão contribuir para qualificar fluxos assistenciais, ampliar o acesso a tecnologias, formar recursos humanos especializados e produzir soluções concretas para o cuidado no SUS. Além do impacto assistencial, essa aprovação amplia a visibilidade nacional da UFC em uma agenda estratégica: transformar conhecimento científico em inovação aplicável, sustentável e orientada à melhoria da saúde da população”, avalia.
SAÚDE DA PESSOA IDOSA - O projeto “Fortalecimento da Linha de Cuidado a pessoas idosas com demência através da qualificação do acesso à rede assistencial do SUS e com integração de biomarcadores plasmáticos”, coordenado pelo médico geriatra e professor Rômulo Rebouças Lôbo, foi contemplado na Rede HU+ no eixo Saúde de populações em situação de vulnerabilidade, obtendo o 1º lugar dentre os projetos da região Nordeste. A proposta é multicêntrica em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Cariri (UFCA), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC e dos serviços de Geriatria e Neurologia do Complexo Hospitalar da UFC, vinculado à HU Brasil.

Segundo o coordenador, são previstas coletas de exames de sangue realizados com o intuito de encontrar em pessoas idosas marcadores de diagnóstico precoce para orientar tratamentos em casos de demência e doença de Alzheimer com viés preventivo e de medicina translacional. “A linha de cuidado é uma previsão da jornada daquele paciente desde o posto de saúde, na atenção primária para entrar no sistema, até chegar em um tratamento em um hospital ou um centro especializado naquela doença. O projeto está se propondo a fazer medicina translacional pura, que é o que temos de pesquisa para se aplicar na clínica e na vida real, para sair da bancada do laboratório e conseguirmos integrar para melhorar realmente o funcionamento do sistema de saúde”, explicou Rômulo Lôbo.
CARDIOLOGIA E IA - Liderado pela médica cardiologista e professora Isabela Takakura, o projeto “CARDIO-AI-HU+: Predição precoce de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca usando inteligência artificial” foi aceito no eixo Saúde digital. A iniciativa conta com a colaboração de estudiosos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), bem como do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital de Messejana e dos serviços de Cardiologia dos hospitais universitários Walter Cantídio (HUWC/UFC) e Onofre Lopes (HUOL/UFRN).

De acordo com a coordenadora, há uma busca por fortalecer uma tendência mundial na cardiologia atualmente, que é incorporar ferramentas digitais com a monitorização inteligente e a medicina de precisão no cuidado cardiovascular. A ideia é fazer a predição precoce de complicações de pós-operatório de cirurgias cardíacas, tendo como foco a diminuição do tempo de internação, dos riscos à vida do paciente e dos custos hospitalares. “A cardiologia é uma área que gera grande volume de dados clínicos, laboratoriais, hemodinâmicos e de monitorização contínua, o que torna a aplicação da inteligência artificial extremamente promissora. No projeto, a proposta é integrar esses dados para desenvolver modelos capazes de identificar precocemente sinais de complicações, auxiliando a equipe médica na tomada de decisão de forma mais rápida e precisa”, analisou Isabela Takakura.
DOENÇAS RARAS - Qualificado no eixo Doenças raras, o projeto “Rede Brasileira de Pesquisa Translacional em Axonopatias Hereditárias — IAXON-BRAZIL: Paraparesias Espásticas Hereditárias” tem a coordenação do médico neurologista e professor Paulo Ribeiro Nóbrega e terá colaborações com cientistas de outras seis universidades do país, e, no Ceará, do Ambulatório de Neurogenética do HUWC. A pesquisa investiga as paraparesias espásticas hereditárias (HSP, da sigla em inglês), um conjunto de doenças genéticas raras que trazem degenerações progressivas dos neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo.

Para o coordenador, essas enfermidades são pouco estudadas no Brasil, particularmente no Nordeste, e podem ser mais comuns em famílias marcadas pela consanguinidade (casamento entre primos). Ao longo do projeto, os pacientes terão acompanhamento pelos próximos cinco anos com consultas de avaliação anual para estabelecer diagnósticos e manejos terapêuticos.
“Trata-se de uma rede de pesquisa sobre Paraparesias Espásticas Hereditárias, doenças raras, genéticas, progressivas, que causam fraqueza e ‘rigidez’ nas pernas, espasticidade e impactam profundamente na qualidade de vida e funcionalidade dos seus portadores, porém ainda não são bem conhecidas ou apresentam tratamentos específicos aprovados. A rede busca entender melhor essas lacunas ainda deficientes, com acompanhamento de pacientes com essas condições clínicas e amostragem de dados clínicos, de tecnologia digital em saúde e de imagem”, pontuou Paulo Ribeiro Nóbrega.
Fonte: Diretoria da Faculdade de Medicina da UFC - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.