Agência UFC: Adolescentes têm dificuldade em detectar violências psicológica e sexual em relacionamentos afetivos, revela estudo
- Quarta, 19 Agosto 2026 07:38
Etapa marcada por sentimentos e vivências intensas, a adolescência também é uma fase de descobertas, sendo duas delas o início das relações amorosas e da vida sexual. Mas o que pode ser um momento positivo de trocas e aprendizados para uns, para outros pode ser uma experiência traumática, marcada por agressões. Trata-se da violência no namoro, também chamada de dating violence, caracterizada por ofensas físicas, psicológicas, sexuais ou virtuais entre parceiros íntimos.

Um estudo desenvolvido no curso de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) debruçou-se sobre esse fenômeno cada vez mais frequente entre jovens brasileiros e os resultados apontaram outra problemática nesse tema: não apenas os adolescentes são perpetradores ou vítimas em situações de violência, como muitas vezes nem sequer conseguem identificar determinadas atitudes como graves. Enquanto os comportamentos de violência psicológica foram identificados em quantidade reduzida pelos pesquisados quando em comparação a outros tipos de violência, abuso sexual e estupro foram os menos detectados pelos adolescentes do gênero masculino.
A pesquisa foi realizada pela psicóloga Maria Gabriela Lira, que entrevistou 80 estudantes regularmente matriculados em uma escola pública de ensino médio em Fortaleza. Os adolescentes possuíam idades entre 14 e 18 anos, sendo 35 pessoas do gênero masculino e 45 do gênero feminino. Integraram o estudo as professoras Daniely Tatmatsu, vinculada ao Laboratório de Análise do Comportamento do Ceará (LACCE), e Liana Rosa Elias, do Departamento de Psicologia da UFC.
PADRÕES DE COMPORTAMENTO - Considerado um problema de saúde pública, a violência no namoro pode resultar em vários prejuízos para a saúde física e mental dos adolescentes, como queda no desempenho educacional, depressão, transtornos de ansiedade, ferimentos, infecções sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas. Nesse cenário, as meninas são um grupo particularmente vulnerável: segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), quase um quarto das jovens entre 15 e 19 anos - totalizando 19 milhões de pessoas no mundo - envolvidas em um relacionamento irão sofrer violência física e sexual do parceiro íntimo antes dos 20 anos.
Ao final foram analisados 80 questionários e os resultados apontaram diferenças significativas entre os grupos na percepção dos comportamentos violentos, com as mulheres sendo capazes de identificar com mais facilidade as situações de violência. Como destaca o estudo conduzido na UFC, os padrões violentos aprendidos na adolescência tendem a se manter na vida adulta e a análise da violência no namoro demanda que sejam levadas em conta questões de gênero. Apesar de crítico, o tema ainda é pouco abordado pela academia, pontuam as pesquisadoras.
“A violência no namoro permanece um tema relativamente novo. É possível que os adolescentes tenham algum tipo de conhecimento sobre o que é a violência por parceiro íntimo entre um casal de adultos por meio do que é mostrado na mídia ou até diretamente visto dentro de casa, mas pouco se fala sobre como essa violência também surge entre jovens que estão aprendendo a se relacionar”, comenta Gabriela Lira.
Leia a matéria na íntegra no site da Agência UFC, veículo de divulgação científica da Universidade.
Fonte: Maria Gabriela Lira, psicóloga - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.; Daniely Tatmatsu, pesquisadora do Laboratório de Análise do Comportamento do Ceará (LACCE), do Departamento de Psicologia da UFC - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.







