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Histórias de superação e força de vontade dão vida e sentido à cerimônia de colação de grau

Imagem: Cícero, ao lado da família, alcançou o sonho de se formar como engenheiro-agrônomo (Foto: Viktor Braga/UFC)Foi ajudando os pais na lida com a terra árida, no sertão de Apuiarés, que Antônio Cícero Gomes, 33, cresceu e descobriu sua vocação. Desde pequeno plantando feijão, milho e fava, ele nunca teve dúvida: queria ser engenheiro-agrônomo. O sonho do primeiro dos oito filhos passou a ser também o sonho de toda a família. E na última terça-feira (2), junto aos seus, Cícero o tornou realidade.

Mas até chegar ali, vestir aquela beca e fazer juramento, tornando-se enfim graduado, Cícero teve de percorrer um longo caminho, ladrilhado de muitas adversidades e desafios. Morando em uma comunidade a 3 quilômetros da sede de Apuiarés, o acesso à educação formal sempre foi difícil. A ajuda veio de dentro de casa. As primeiras letras foram ensinadas pela mãe, Maria de Fátima Castro. Pegou gosto pelo estudo e tentou, por duas vezes, entrar na Universidade. A persistência o levou a tentar uma vez mais e, em 2009, ele passou no (hoje extinto) vestibular da UFC. Era a primeira das grandes conquistas.

Veja outros personagens da segunda noite de colação no Flickr da UFC

Toda semana, tinha de percorrer os cerca de 120 quilômetros que separavam a casa dos pais da residência universitária, em Fortaleza. No meio dessa trajetória, o pai adoeceu. Teve câncer. Pensando na saúde do mentor, até cogitou desistir do curso. Mas o pai não deixou, queria ver o filho tornar-se engenheiro-agrônomo. A morte, todavia, veio antes. Ao ouvir o filho, melancólico, contar a história, a mãe, a seu lado, consolou: "Sei que, onde ele estiver agora, está sorrindo, feliz e orgulhoso".

E Cícero sorri, como estaria o pai: "Não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo hoje. É uma alegria imensa, é uma vitória muito grande para alguém que vem de onde venho". A Concha Acústica da Reitoria estava assim na terça-feira (2), repleta das mais distintas histórias de superação e determinação. Eram 386 biografias sendo escritas na memória dos concludentes e na de seus amigos e familiares.

Imagem: Willer Oliveira, formado em Ciências Biológicas: "Desde pequeno, alimentava o desejo de ser professor" (Foto: Viktor Braga/UFC)A felicidade de Cícero não era diferente da sentida por Willer Rocha de Oliveira, 23, que se licenciava em Ciências Biológicas. Também vinha de menino o sonho: até onde a recordação alcançava, sempre quis ser professor. "Venho de uma família toda engajada na docência. Desde criança alimentava esse desejo. Até nas brincadeiras, queria ser professor. Vem do DNA", supõe.

O passatempo infantil virou coisa séria e ele já dá aulas em escolas do Estado. "É muito gratificante pegar toda a teoria que aprendi na sala de aula e levar para a prática", conta. Também não foi fácil para ele. Como mora vizinho ao município de Itaitinga, tinha de acordar às 4h30min para poder estar na sala de aula antes das 8h da manhã. "Nunca me atrasei um dia sequer", diz. Porque, quando o sonho é grande, a dedicação tem de acompanhar na mesma medida.

Dedicação essa que também não faltou a Georjane Gondim, que se graduava em Agronomia. De beca e capelo, a jovem de 25 anos carregava nos braços Bernardo, de apenas quatro meses. Precisou dividir o tempo entre duas gestações que exigem muito empenho: a do filho (que teve com seu colega de classe e hoje companheiro, de profissão e de vida) e a de seu TCC (trabalho de conclusão do curso). Com o marido morando em outra cidade, Georjane contou com o apoio de seu pai, que disputava com ela, na cerimônia de ontem, o tamanho do sorriso. Era ele quem saía do trabalho para carregar carrinho de mão com adubo e suplemento agrícola, material do TCC da filha, no Campus do Pici.

Imagem: Imagem: Georjane, ao lado do pai, do marido e do filho de quatro meses: "Me sinto uma vencedora" (Foto: Viktor Braga/UFC)"O dia de hoje está representando tudo pra mim. É a realização de um sonho e a sensação de dever de pai cumprido", afirmava George Gondim. Para Georjane, a sensação não podia ser outra que não de felicidade: "Me sinto uma vencedora". Com histórias maiores ou menores de superação de desafios impostos pela vida, todos ali sabiam de uma coisa: eram vitoriosos. E o que é uma colação de grau senão o momento mais simbólico de concretização de tantos e tantos sonhos?

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