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UFC e você contra o mosquito

Pesquisadores brasileiros e franceses consolidam rede e criam grupo para seguir ações

Imagem: O diretor regional do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD) no Brasil, Jean-Luc Sattini, também participou do evento (Foto: Viktor Braga/UFC)A 2ª Reunião da Rede Franco-Brasileira pelo Desenvolvimento Sustentável no Semiárido do Nordeste (REFBN), finalizada na tarde desta terça-feira (27) na Casa de José de Alencar, marcou a consolidação da rede e estabeleceu uma célula de animação e execução das ações que serão tomadas pelo grupo nos próximos 10 anos. Um documento sintético com as prioridades de cada área temática será elaborado por essa comissão.

"Conseguimos a consolidação da REFBN, com a definição de seus objetivos, os meios (humanos, científicos e financeiros) e os lugares de atuação", avaliou o diretor regional do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD) no Brasil, Jean-Luc Sattini.

De acordo com ele, as instituições francesas que participam da rede irão buscar financiamentos na França e União Europeia para estudos no semiárido. "E vamos criar objetos de pesquisa para serem apresentados às Fundações de Apoio à Pesquisa (FAPs), no Brasil, para que sejam criados editais", acrescentou.

O maior objetivo que se busca alcançar, aponta, é a criação de um grande projeto regional com financiamento francês para pesquisa e apoio ao investimento em infraestruturas na região, envolvendo todos os atores do desenvolvimento na zona de forma participativa.

"Convidamos e tivemos aqui a participação da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que tem inúmeros financiamentos em diversas partes do mundo para ações de desenvolvimento sustentável. Eles participaram da reunião e mostraram aqui como podem proporcionar incentivos", informou.

Durante a manhã, os pesquisadores franceses e brasileiros discutiram as linhas prioritárias de trabalho conjunto em três temáticas: Água e gestão dos recursos hídricos; Solos, transição agroecológica, biodiversidades; e Dinâmicas socioeconômicas. No turno seguinte, as discussões foram compartilhadas pelos moderadores de grupo e discutidas. Os representantes da célula de animação criada, que reúne pesquisadores dos dois países, elaborarão um documento final.

Imagem: Marie-Pierre Ledru é diretora de pesquisa do IRD, instituição que, em julho último, firmou parceria com a UFC (Foto: Viktor Braga/UFC)"A célula é quem não deixará a rede morrer, mantendo a continuidade desse brainstorm dos pesquisadores. A ideia é que eles se reúnam ao menos uma vez por ano, ao longo desses dez anos", aponta a diretora de pesquisa do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Marie-Pierre Ledru.

O IRD é uma instituição francesa que atua há mais de 50 anos no Brasil em pesquisas e ações de desenvolvimento sustentável e que, em julho último, firmou parceria com a Universidade Federal do Ceará.

Veja outras imagens do turno da tarde no Flickr da UFC

O Prof. Luiz Drude de Lacerda, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da UFC, foi relator do grupo de estudos Solos, transição agroecológica, biodiversidades, e apontou que, entre as ações prioritárias, está a utilização da agroecologia na recuperação de áreas degradadas. "É necessário um estudo científico da biodiversidade da região. Também necessitamos ter uma ideia melhor do passado da caatinga ao longo dos anos", citou.

Ele afirmou também que o grupo defendeu uma adequação das escalas espaciais de políticas públicas no semiárido, para que as ações sejam diferenciadas de acordo com as características de cada localidade, incluindo nessas políticas aspectos culturais e socioeconômicos. "Isso requer transdisciplinaridade nas pesquisas, e as agências de fomento podem ter um papel importante nisso, incluindo essa transdisciplinaridade nos editais", analisa.

Imagem: O Prof. Luiz Drude de Lacerda, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da UFC, foi relator do grupo de estudos Solos, transição agroecológica, biodiversidades (Foto: Viktor Braga/UFC)No grupo Água e gestão dos recursos hídricos, o representante da CIRAD, Julien Burte, informou que foi discutida a necessidade de se implantar, nos âmbitos municipais, estaduais e federal, sistemas de monitoramento de recursos hídricos para a produção de informação ao produtor rural, que o auxiliarão na tomada de decisões e na mitigação de prejuízos ocasionados pelas secas. Apontou também a importância de se trabalhar a gestão dos sistemas de agricultura irrigada e de realizar a avaliação dos impactos dos usos dos recursos hídricos na região.

Por fim, o economista Lautemyr Xavier, da Sudene, compartilhou as discussões do grupo de estudos Dinâmicas socioeconômicas. Segundo o grupo, é preciso que as populações deixem de ser tratadas como meras receptoras das políticas públicas e passem a participar ativamente das decisões.

"É preciso desenvolver uma metodologia de participação coletiva", defendeu. Ele destacou a urgência de políticas públicas diferenciadas para a população jovem do semiárido, inclusive criando novas lideranças na região e formando educadores rurais.

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