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UFC e você contra o mosquito

Originada no Ceará, pesquisa já acumula 16 prêmios nacionais e internacionais; saiba mais algumas curiosidades sobre a pele de tilápia

A aplicação clínica pele de tilápia já é uma das pesquisas iniciadas na UFC com maior êxito da história da Universidade. Os feitos alcançados através da pele já renderam aos pesquisadores 16 premiações em primeiro lugar, concedidas no Brasil e no exterior. Uma das mais relevantes foi o Prêmio Euro, considerado o Oscar brasileiro da medicina, entregue em setembro do ano passado. Com o título "A pele de tilápia: um novo biomaterial para tratamento de queimaduras, feridas, cirurgias ginecológicas e medicina regenerativa", o estudo apresentado pelo médico Edmar Maciel conquistou o primeiro lugar, concorrendo com 1.500 projetos.

Imagem do Prêmio Euro

COMO SURGIU A PESQUISA – A ideia de utilizar a pele de tilápia para tratamento de queimaduras surgiu em Pernambuco, por meio do cirurgião plástico Marcelo Borges, ainda em 2011. Por falta de investimentos e de infraestrutura laboratorial, ele não avançou nas pesquisas por três anos. Em 2014, entrou em contato com Edmar Maciel, médico do Instituto Dr. José Frota (IJF), e então decidiram iniciar as pesquisas com a pele no Ceará.

No fim daquele ano, o médico cearense, que já desenvolvia pesquisas na área de queimaduras em parceria com a empresa Enel, apresentou projeto de pesquisa à empresa, cujo financiamento foi aprovado. Edmar, em seguida, convidou o Prof. Odorico de Moraes, da UFC, para que os estudos pré-clínicos fossem realizados no Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da Universidade. E assim foram iniciados os exitosos estudos, que, hoje, contam com uma equipe internacional.

DE ONDE VEM A PELE – A pele utilizada nesses estudos é retirada da tilápia-do-nilo, um peixe de água doce de cativeiro, de fácil reprodução e que existe em grandes quantidades no Brasil, especialmente no Nordeste. Sua pele geralmente é descartada; apenas 1% dela é utilizada no artesanato, daí a viabilidade econômica do uso desse material, explica o coordenador-geral da pesquisa, Edmar Maciel. Além disso, aponta, os animais aquáticos disseminam menos doenças que os terrestres, o que torna a pele da tilápia clinicamente mais segura.

No início da pesquisa, em 2015, as peles vinham do açude Castanhão, no Ceará. Com as secas e a falta do controle de qualidade do processo de extração da pele, todavia, elas passaram a ser recebidas, desde 2018, da Piscicultura Bomar, em Itarema, Ceará. Todo o material sempre foi fornecido gratuitamente.

PALÁCIO DO PLANALTO – Em maio de 2019, a convite do Palácio do Planalto, em Brasília, o grupo de pesquisadores apresentou os produtos que estão sendo desenvolvidos na pesquisa ao presidente da República, ao ministro da Saúde e sua equipe, e ao secretário da Pesca. "O presidente Bolsonaro e sua equipe ficaram impressionados com o avanço das pesquisas e se comprometeram a introduzir os produtos na rede pública brasileira, após aprovação da ANVISA [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", destaca Maciel, que, na ocasião da visita, participou da live semanal do presidente.

Médico Edmar Maciel segura troféu do Prêmio Euro

PATENTES – As pesquisas com pele de tilápia já geraram quatro pedidos de patente. O primeiro deles foi o relacionado ao processo de desenvolvimento da esterilização da pele da tilápia no glicerol, no qual a UFC possui 25% dos direitos autorais, divididos com a empresa Enel e com os pesquisadores Edmar Maciel e Marcelo Borges (cada um com 25%). Os outros três pedidos são: desenvolvimento da esterilização da pele pelo método de liofilização (desidratação); desenvolvimento da matriz dérmica; e extração do colágeno. Em cada um desses a UFC tem 50% de direitos autorais.

O COORDENADOR DAS PESQUISAS – Edmar Maciel é médico formado pela UFC em 1982, fez Residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, duas especializações e concluiu Mestrado em Farmacologia Clínica pela UFC. Atualmente, é membro do corpo clínico do Centro de Queimados do IJF (desde 1984), presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (desde 2006) e coordenador-geral da pesquisa da pele de tilápia.

Maciel publicou nove livros no Brasil e no exterior e é autor de 64 capítulos em livros nacionais e internacionais, tendo ganhado 10 prêmios. O médico é ainda o criador do Dia Nacional do Queimado (6 de junho) e do Dia Nacional do Cirurgião Plástico (7 de dezembro), ambos no Brasil. Edmar Maciel foi presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (2001-2006), presidente da Sociedade de Cirurgia Plástica (2002-2005) e presidente da Federação Latino-Americana de Queimaduras (2005-2009), além de idealizador do Centro de Tratamento de Queimados do IJF, do qual é diretor há 12 anos.

Por Sérgio de Sousa

Fonte: Edmar Maciel, coordenador-geral da pesquisa com pele de tilápia – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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