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Segunda noite de colação de grau 2025.2 em Fortaleza celebra caminhos, descobertas e construção de identidades

A universidade costuma ser apresentada como um lugar de formação profissional. Mas, para quem frequenta suas salas, laboratórios e corredores por quatro, cinco ou seis anos, ela acaba sendo também um território de descobertas: de vocações, de interesses, de limites, de afetos; enfim, uma descoberta de si. Foi esse movimento de autoconhecimento pessoal e profissional que marcou a segunda noite do ciclo de colações de grau do semestre 2025.2 da Universidade Federal do Ceará (UFC), realizada nessa quinta-feira (26), na Concha Acústica.

Na ocasião, colaram grau 455 concludentes do Centro de Ciências, Centro de Ciências Agrárias e Centro de Tecnologia.

Imagem: um jovem de beca fala em um púlpito. Ao fundo, professores, sentados com veste talar, atentos ao jovem
Representando os concludentes, o orador discente Matheus Cosme Martins, do curso de Engenharia de Alimentos, construiu uma narrativa que percorreu as memórias comuns da vida universitária, do entusiasmo da aprovação aos desafios cotidianos que, pouco a pouco, foram moldando a experiência de cada turma. Para muitos, lembrou, o ingresso significou mais do que a conquista de uma vaga: foi a abertura de um caminho novo — às vezes como o primeiro da família a chegar a uma universidade federal, às vezes deixando para trás a cidade de origem, a rotina conhecida e o convívio familiar.

Veja outras imagens da solenidade no Flickr da UFC

“Esse lugar está mais bonito hoje porque abriga o ponto de chegada de histórias que, até pouco tempo atrás, pareciam impossíveis”, afirmou. Em sua fala, o orador recordou os momentos que, para além das disciplinas, criaram laços e identidades: a rotina intensa do primeiro semestre, os PDFs acumulados nas madrugadas, as filas do restaurante universitário e as vésperas de prova que mobilizavam grupos de estudo e conversas nos aplicativos de mensagem. “Foi ali, no cansaço compartilhado, que a gente deixou de ser estranhos e começou a virar uma família”, disse.

Ao longo da cerimônia, as falas dos formandos confirmaram essa ideia: mais do que sair com uma profissão, muitos deixam a universidade com uma identidade que foi sendo construída pouco a pouco.

APRENDER COM O OUTRO - Concludente do curso de licenciatura em Geografia, Luana Rufino descreve sua trajetória como um percurso vivido “de todas as maneiras possíveis”. Participou de programas de iniciação à docência, extensão e monitoria, experimentando as três dimensões que estruturam a vida universitária. “A gente vai aprendendo com os outros”, afirmou. Para ela, uma das principais mudanças foi o crescimento da autoconfiança. “Você entra muito acanhado, mas vai ganhando segurança, conhecimento, empoderamento como estudante, como mulher, como professora.”

Imagem: jovem negra vestida com beca posa para foto abraçada entre outras duas jovens negras

A escolha pela docência também tem raízes familiares. Filha de professora — a primeira mulher formada de sua família — e irmã de uma egressa da própria UFC, Luana vê sua formatura como continuidade de uma história coletiva. “Se estou aqui hoje, é porque minha mãe lutou muito para que eu pudesse estar. Eu queria honrar esse caminho.” O vínculo com a universidade seguirá: ela já ingressou no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema).

ENTRE HARDWARES E SOFTWARES, A EMPATIA — Para o novo engenheiro da Computação Felipe Araújo, a descoberta foi encontrar seu lugar dentro do próprio curso. Nos primeiros semestres, ele não sabia em qual ramo da área seguir. Foi a partir de uma disciplina e de um projeto de pesquisa que se identificou com inteligência artificial e ciência de dados, área na qual já atua profissionalmente. “O curso é muito amplo, e eu demorei um pouco para me encontrar. Mas quando encontrei, tudo fez sentido”, contou.

A transformação, segundo ele, foi além da escolha profissional. O contato com colegas de diferentes origens ampliou sua visão de mundo. “A gente entra muito novo e com uma realidade muito parecida com a nossa. Na universidade, percebe que existem muitos outros contextos. Isso traz mais empatia e um senso maior de coletividade.”

Imagem: um jovem branco de cabelos longos e vestido de beca posa para foto. Ao fundo, imagem do auditório da Concha Acústica

UMA VIDA EM CINCO ANOS — Já o concludente de Agronomia Juan Rodrigues vê sua graduação como um percurso marcado por mudanças pessoais profundas. “A gente entra como uma pessoa e sai totalmente diferente”, disse. Primeiro da família a concluir o ensino superior, ele destaca o papel decisivo dos pais. “Minha família é meu alicerce. Sem eles, eu não estaria aqui.”

Para Juan, a experiência universitária foi construída tanto pelas oportunidades acadêmicas quanto pelas relações humanas. Bolsas, atividades e vivências profissionais foram importantes, mas as amizades e a convivência cotidiana tiveram um peso semelhante. “São cinco anos que parecem uma vida inteira.”

Imagem: jovem negro está de beca e braços cruzados. Ele posa para foto

REDES DE APOIO — A importância dessas redes de apoio ganhou um tom especialmente pessoal no discurso da oradora docente da noite, a professora Diana Azevedo, vice-reitora da UFC. Ao se dirigir aos formandos, ela destacou o papel das famílias e das pessoas próximas na travessia universitária: “Olhem com gratidão para estes entes queridos. A confiança e o apoio dessas pessoas foram fundamentais para superar os obstáculos do caminho percorrido, e estes não foram poucos”.

A docente também situou a trajetória da turma no contexto de uma geração que iniciou a graduação em meio à pandemia e precisou se adaptar a um mundo acelerado, digital e, muitas vezes, marcado por desinformação e incertezas. “Vocês saem desta noite muito mais que engenheiros, bacharéis e licenciados. Vocês foram transformados e são hoje maiores e melhores do que eram antes”, afirmou, ressaltando a diversidade de experiências e de origens como parte essencial dessa formação.

Imagem: uma mulher de cabelos cacheados e grisalhos, vestida de veste talar, fala em um púlpito

Em um dos momentos mais simbólicos da fala, Diana Azevedo compartilhou uma emoção pessoal: pela primeira vez como oradora docente, ela discursava também como mãe de duas formandas presentes na cerimônia. “Há ainda uma quarta emoção: dirigir-me a vocês na qualidade de primeira mulher eleita para ocupar a vice-reitoria da UFC e no dia em que se formam uma biotecnologista e uma engenheira ambiental, minhas filhas Cecília e Beatriz.” Ao se dirigir especialmente às mulheres formandas, reforçou: “A engenharia, a ciência e a universidade são lugares para elas ocuparem e florescerem. Nós podemos estar onde quisermos estar”.

Encerrando a solenidade, o reitor da UFC, professor Custódio Luís Silva de Almeida, ampliou o sentido da conquista para além da dimensão individual. Em seu discurso, destacou que a colação de grau representa o encontro entre políticas públicas e trajetórias pessoais, entre oportunidade e esforço. “Ingressar em uma universidade pública, gratuita e de excelência é resultado de mérito, mas permanecer nela exige resiliência, disciplina e coragem diante das adversidades”, afirmou.

Imagem: homem vestido de veste talar discursa em um púlpito

O reitor ressaltou também o alcance coletivo da formação: “Vocês não apenas acumularam conhecimentos técnicos: ampliaram horizontes, refinaram seu senso crítico e consolidaram uma autonomia que lhes permite interpretar, intervir e agir no mundo com responsabilidade e consciência histórica”. E concluiu com um chamado à responsabilidade social: “A partir de hoje, vocês carregam a chancela da maior universidade do Estado. Isso não é apenas um título — é um pacto com a ética, com o conhecimento e com a sociedade que investiu em sua formação”.

O ciclo de colações de grau 2025.2 em Fortaleza se encerra nesta sexta-feira (27), com a formatura dos concludentes dos cursos ofertados pelo Centro de Humanidades (CH); Faculdade de Direito (Fadir); Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (Feaac) e Faculdade de Educação (Faced).

Leia também: Mudanças de vida e perspectivas profissionais dão o tom da primeira noite do ciclo de colações de grau 2025.2 em Fortaleza

Fonte: Cerimonial da UFC – fones: (85) 3366.7313 e 3366.7314

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